
1974, Alasca. Indómito. Imprevisível. E para uma família em crise, a prova definitiva. Ernt Allbright regressa da Guerra do Vietname transformado num homem diferente e vulnerável. Incapaz de manter um emprego, toma uma decisão impulsiva: toda a família deverá encetar uma nova vida no selvagem Alasca, a última fronteira, onde viverão fora do sistema. Com apenas 13 anos, a filha Leni é apanhada na apaixonada e tumultuosa relação dos pais, mas tem esperança de que uma nova terra proporcione um futuro melhor à sua família. Está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo. A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. Inicialmente, o Alasca parece ser uma boa opção. Num recanto selvagem e remoto, encontram uma comunidade autónoma, constituída por homens fortes e mulheres ainda mais fortes. Os longos dias de verão e a generosidade dos habitantes locais compensam a inexperiência e os recursos cada vez mais limitados dos Allbright.
À medida que o inverno se aproxima e que a escuridão cai sobre o Alasca, o frágil estado mental de Ernt deteriora-se e a família começa a quebrar. Os perigos exteriores rapidamente se desvanecem quando comparados com as ameaças internas. Na sua pequena cabana, coberta de neve, Leni e a mãe aprendem uma verdade terrível: estão sozinhas. Na natureza, não há ninguém que as possa salvar, a não ser elas mesmas. Neste retrato inesquecível da fragilidade e da resiliência humana, Kristin Hannah revela o carácter indomável do moderno pioneiro americano e o espírito de um Alasca que se dissipa - um lugar de beleza e perigo incomparáveis. A Grande Solidão é uma história ousada e magnífica sobre o amor e a perda, a luta pela sobrevivência e a rudeza que existe tanto no homem como na natureza.
Quando não conhecemos um livro e olhamos para ele pela primeira vez, tentamos imaginar a magia que vai naquelas páginas. Depois de o ler, nunca mais olharemos para ele da mesma maneira. Os livros albergam tesouros, riqueza. E quando vivemos a magia da história que um livro guarda, torna-se como um amigo que nos tocou o coração e não conseguiremos jamais esquecer.
Estou há tento tempo para ler A Grande Solidão. Já deve ter feito 1 ano. Sigo imensas pessoas que partilham os livros que leem e este deixou-me com um desejo enorme de viver o que ele guardava. Foi-me oferecido no natal - um ano depois de eu descobrir que ele existe e de o desejar tanto. E caramba, depois das festas mergulhei de cabeça no livro em que eu tinha a certezinha que ia vibrar com ele. Pelo simples facto de ter inscrito na capa "amor" e "Alasca".
O título já dá por si só um indício de que a história irá abater-se sobre nós de alguma forma, de que irá pesar, de que virá muito secretismo e suspense. Algo me dizia que seria daqueles livros que não iria conseguir parar de querer ler mais um capítulo.
Identifiquei-me tanto com situações da vida das personagens que foi assustador. Talvez seja ou não por isso que fiquei com falta de ar ao ler imensos episódios violentos e pormenorizados. Ao chegar ao ápice da situação que o livro descrevia, eu tinha que fechar o livro por um bocadinho, fechar os olhos com força e absorver aquele bocadinho de texto que me deu calafrios. Dei por mim a desejar que a personagem não fizesse certas coisas - como quando estamos a ver um filme e dizemos "não, não faças isso!". Senti-me viva a ler A Grande Solidão.
Senti que queria ir viver para o Alasca e fez-me relembrar todas as provas de amor do meu companheiro e dos meus pais. Este livro toca-nos. Chorei tantas vezes e senti o meu coração a bater mais depressa outras tantas. Vivi muito com A Grande Solidão.
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Na estante: Apartamento partilha-se
Tiffy Moore precisa urgentemente de um apartamento barato, depois de o ex-namorado a despejar da casa onde viviam. Leon Towney é enfermeiro, faz os turnos da noite no hospital, tem um apartamento para arrendar e precisa de dinheiro para ajudar o seu irmão.
Para os dois, surge a solução perfeita: durante o dia, enquanto Tiffy está a trabalhar, Leon descansa do lado direito da cama; durante a noite, e até à manhã seguinte, Tiffy é dona e senhora do apartamento. Embora nenhum deles se encontre no mesmo espaço ao mesmo tempo, limitando as hipóteses de algo poder correr mal, os seus amigos acham que esta é a receita para o desastre e que devem existir regras.
Para que tudo possa correr bem, decidem comunicar apenas por bilhetinhos destinados a resolver questões domésticas (e da vida) e facilitar a partilha do apartamento. Mas, com ex-namorados dramáticos, colegas de trabalho doidos e, claro está, o facto de ainda não se terem cruzado, estão prestes a descobrir que, para terem uma casa perfeita, vão precisar de atirar as regras pela janela.
Para os dois, surge a solução perfeita: durante o dia, enquanto Tiffy está a trabalhar, Leon descansa do lado direito da cama; durante a noite, e até à manhã seguinte, Tiffy é dona e senhora do apartamento. Embora nenhum deles se encontre no mesmo espaço ao mesmo tempo, limitando as hipóteses de algo poder correr mal, os seus amigos acham que esta é a receita para o desastre e que devem existir regras.
Para que tudo possa correr bem, decidem comunicar apenas por bilhetinhos destinados a resolver questões domésticas (e da vida) e facilitar a partilha do apartamento. Mas, com ex-namorados dramáticos, colegas de trabalho doidos e, claro está, o facto de ainda não se terem cruzado, estão prestes a descobrir que, para terem uma casa perfeita, vão precisar de atirar as regras pela janela.
Que livro vibrante! Devorei-o em 3 dias, e no último dia comprometi-me a lê-lo de uma enfiada porque não conseguiria dormir sem saber da história toda. É demasiada paixão num livro só! Resultado: estive a ler durante 7 horas enquanto devia estar a dormir, logo fiz direta nessa noite - mas soube-me pela vida! (conselho: não leiam este livro antes de dormir).
Sabem aquelas pessoas que usam comparações tão simples e suberbas que nos perguntamos de onde é que foram buscar aquilo a determinada altura? A personagem principal é isso mesmo, sem papas na língua - e a autora escreve muitas comparações que fazemos na nossa cabeça mas não as dizemos por parecerem demasiado embaraçosas - expontânea, transparente, louca, alegre, vibrante. Adoro a Tiffy da cabeça aos pés (e ela "é grande como a vida"!).
Existem tantas emoções que são exploradas neste livro, aquele anseio de contacto entre as duas personagens principais que é interrompida por vários capítulos, deixando-nos a desejar ler mais algumas páginas para ver onde realmente acontece a cena escaldante; a raiva com que ficamos do mau da fita, toda uma coisa ardente dentro de nós que nos faz cerrar o punho e revirar os olhos a muitos episódios. Este livro fala também (e isto é uma das minhas partes preferidas - além da paixão imensa que há dentro deste livro) no abuso emocional que existe entre um casal, e sobre emponderamento feminino. Sobre o controlo que muitos parceiros exercem sobre as namoradas e sobre o quão difícil é superar todo um trauma após algo tão aterrador como a manipulação psicológica.
É simplesmente deliciosa esta criação da Beth O'Leary. Uma mensagem tão forte e bonita que nos leva à realidade que ainda existe nos dias de hoje e uma história que nos prende muito, que nos revolta, que nos anseia, que nos apaixona, que nos entristece, confunde, volta a fazer-nos ansear, sentimo-nos apaixonados novamente e toda uma montanha russa com uma história tão simples.
Sabem uma coisa? Este livro foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos, tornou-se especial, apesar de só ter ficado com ele durante 3 noites. Tem lugar, sem dúvida, na minha estante do peito.
O meu excerto preferido:
"o meu pai adora dizer: a vida nunca é simples. É um dos seus aforismos preferidos.
Mas, na verdade, acho que isso não é correto. A vida é simples com frequência, mas não reparamos em como era simples até se tornar incrivelmente complicada, tal como nunca nos sentimos gratos pela saúde até adoecermo, ou nunca damos valor à gaveta dos coolants até rasgarmos um par e não termos outros para o substituir."
Mas, na verdade, acho que isso não é correto. A vida é simples com frequência, mas não reparamos em como era simples até se tornar incrivelmente complicada, tal como nunca nos sentimos gratos pela saúde até adoecermo, ou nunca damos valor à gaveta dos coolants até rasgarmos um par e não termos outros para o substituir."
Acho que me esqueci de mim.
"Acordei, vesti-me com uma pressa danada, nem me olhei bem ao espelho. Comi meio a dormir meio acordada. Comi o de sempre, algo com café, que é para dar energia para enfrentar o dia que vem aí. Olho para o relógio vezes infinitas, não vá o tempo fugir sem eu dar por ela - e foge. Pego na bagagem de todos os dias, que me pesa incessantemente, para além dos pesos que já carrego dentro de mim, e saio para a manhã nua e calma, mas que eu não tempo para sentir. Nem dou conta se está frio ou se não está frio, mesmo se estiver, tenho tanta pressa que me esqueço. Tenho que apanhar os transportes para não chegar atrasada, tenho que me fazer ao caminho para não apanhar trânsito de outros tantos que estão como eu. Dou o bom dia a toda a gente, com o sorriso matinal que consigo arranjar. Sujeito-me às minhas tarefas de todos os dias, mesmo que não goste do que faça, já nem sei distinguir. Tento ser amável para toda a gente, mesmo que esteja de mau humor e só me apeteça hibernar, eu esforço-me. Ando numa luta contra o relógio, como sem dar muita importância ao que realmente como, e volto para outra volta de tarefas. Ser amável. Sorrir. Olhar para o relógio. Saio já à tardinha, e reparo que só o facto de me ter safado da parte chata de hoje já me mete mais alegre, e reparo que as outras pessoas também estão como eu. Chego a casa, e atiro o peso para cima do sofá. Permito-me parar por 5 minutos. Ok, agora está na hora de pensar o que vai ser o jantar. Preparo o jantar sem grandes pormenores, mais a discutir com os ingredientes do que a fazer um poema culinário. Sorrio para a minha família. Por vezes descarregamos uns nos outros, tal é o peso do dia a dia que ainda trazemos. A casa é sempre uma confusão, barulho aqui, barulho ali, televisão alta, luzes todas ligadas. Tomo um duche para aliviar um pouco a pressão que os dias me trazem, visto o pijama e mergulho na cama. Amanhã farei tudo novamente."
Esqueci-me de me namorar ao espelho, de fazer o meu pequeno-almoço preferido, de me permitir sentir a calma de cada manhã, de ser tão amável comigo como me esforço para ser com os outros. Esqueci-me do que é viver sem olhar para o relógio. De viver devagar. Esqueci-me de saborear cada refeição que ofereço ao meu corpo. Esqueci-me de me perguntar o que gostaria de fazer para ganhar a vida, no que gostaria de despender a minha energia. Esqueci-me de fazer qualquer ritual de relaxamento - tomar um banho quente, ler, dormitar, cozinhar com amor. Esqueci-me de viver o presente com a minha família. Esqueci-me.
Identificas-te com este texto? Também te esqueceste?
Maior parte das vezes - ou até na sua maioria - este mundo virtual serve como um escape à realidade, onde construímos uma imagem de nós próprios com base no positivo. Somente com base no positivo. Escondendo todas as outras adversidades que fazem parte, mas que escolhemos não mostrar. E é normal, ninguém tem que saber nada sobre a nossa vida. Mostramos o que escolhemos e o que nos faz sentido. Mas tudo isto depois faz com que as plataformas digitais sejam consumidas com base em vidas recheadas de positivismo, cheias de coisas boas, sem coisas más à vista. Não porque elas não existem, mas porque ninguém escolhe mostrar. Mas todos nós assumimos que a pessoa X tem uma vida perfeita, porque só tem fotografias de paisagens magníficas, pequenos-almoços dignos de uma alma curada e de sítios onde nunca estivemos antes. Assumimos que os outros estão no topo, e que estamos a ficar para trás. Assumimos que a vida tem que ser assim, como todos mostram. Esquecemo-nos que todos estão a fazer o que nós estamos a fazer: a partilhar coisas boas e bonitos, um registo de momentos felizes e bons, e a não querer mostrar as adversidade que fazem parte e existem. É só e apenas isto.
Nós apenas nos esquecemos e assumimos que temos que ter tudo o mais positivo e bonito e melhor possível. Porque parece que é o que todos estão a fazer, mas não é. O teu problema também é o dos outros, não caias no erro de pensar que és o único com esse problema que te atormenta porque, acredita, não és. Mas escolhes não mostrar e criar um registo de coisas boas, partilhar coisas boas - e é isso que toda a gente faz, mas além disso que toda a gente mostra existe muito mais, existe a vida, que tem um equilíbrio fantástico de coisas boas e coisas más. Não te esqueças.
Um romance poderoso sobre a amizade, tendo como pano de fundo um circo durante a Segunda Guerra Mundial. Duas mulheres extraordinárias e as suas histórias angustiantes, de sacrifício e sobrevivência. Noa, de 16 anos, fica grávida de um soldado do exército nazi e é forçada a desistir do seu bebé recém-nascido. Vive no piso superior de uma pequena estação ferroviária, a troco de limpezas... Quando descobre dezenas de crianças judias amontoadas num vagão cujo destino é um campo de concentração, ela não consegue deixar de pensar no filho que lhe foi retirado.
E, num momento que mudará a sua vida para sempre, agarra numa das crianças e foge com ela pela noite fora sob um forte nevão. Acaba por encontrar refúgio num circo alemão, mas vai ter de aprender números de trapézio para poder passar despercebida, não obstante o azedume de Astrid, a trapezista principal. a princípio rivais, Noa e Astrid em breve criam poderosos laços de afecto entre si.
Mas como a fachada que as protege se torna cada vez mais ténue, elas têm de decidir se a amizade entre ambas é suficiente para se salvarem uma à outra - ou se os segredos que guardam deitarão tudo por terra.
Tenho a sensação de segurar entre as minhas mãos húmidas depois de acabar de ler todas estas páginas, uma obra de arte - sim, de completa arte - e simbolismo. Um dos livros mais pesados que alguma vez li, mas só soube desta carga emocional quando cheguei aos últimos capítulos. Sabem quando acabam de ler um livro e têm a certeza absoluta de que, tudo aquilo que acabaram de ler, nunca mais será apagado da vossa mente?
A autora investiga a história de famílias circenses e de judeus, e querendo prestar homenagem a todos quanto possível, cria a história de Noa, para que seja exequível essa aliança. Não consigo imaginar o quão difícil seja escrever sobre momentos e sentimentos tão sombrios e pesados que se encontram no início e no final do livro, mas são sem dúvida movidos pela vontade de mostrar o reconhecimento do passado de pessoas como as descritas no livro para o mundo.
Vejo o livro como a forma mais bonita de manter vivas as histórias inacreditáveis e quase como se fossem sonhos de tão incríveis que são.
Entre as páginas deste livro estão a ingenuidade, a coragem, o terror através dos olhos de uma adolescente contra o mundo durante a guerra; a força, a esperança, a determinação de uma mulher madura que não espera encontrar a felicidade e conforto novamente; o entrelaçar das duas no trapézio de um sítio tão mágico, digno de contos de fada, no meio da guerra - o circo. E aqui, o inesperado - completamente inesperado, que mesmo adivinhando o que vem a seguir nos conseguimos surpreender - mantém-nos suspensos como se agarrássemos uma barra de trapézio no meio do ar. Aqui até o amor nos leva de rompante.
A última frase da página de notas da autora
"Considero este livro, embora seja uma ficção, um tributo à coragem dessas pessoas."
Quando é que abrandas? Como é que sabes quando tens que abrandar? Qual foi a última vez que te permitiste abrandar?
O nosso corpo, este nosso templo desde sempre, dá-nos sinais preciosos e que nem sempre conseguimos ver e perceber. O facto de andarmos fatigados, com dores de cabeça, com dores musculares, sem conseguir pensar, são sinais dos mais simples e comuns de que precisamos de abrandar e respirar por um bocado. De apanhar um pouco de sol e de fechar os olhos e sentir o vento. Às vezes é só isso.
Muitas das vezes ficamos com um certo sentimento de culpa por querermos cuidar de nós, por querermos prescindir de pelo menos 5 minutos do nosso dia para nos voltarmos para nós e fazermos o que sentimos que temos que fazer, em especial as mães. Mas sabem que mais? Se não abrandarmos, não estamos a respeitar a nossa própria vontade, nos quais temos que ser os primeiros a respeitá-la, não estaremos a recarregar toda a energia que desgastamos durante horas e horas, dias e dias, não estaremos a dar ouvidos aos sinais que o nosso corpo nos transmite, não estaremos assim nunca no nosso melhor para que enfrentemos o mundo com a energia revitalizada, com o nosso eu intenso de boas energias, vontade e alegria.
O nosso corpo, o nosso templo, dá-nos todos os sinais acerca do que fazer a seguir. E isso é maravilhoso. Vamos fazer um esforço para nos reconectarmos com ele? Com a nossa essência. Com aquilo que realmente precisamos para estarmos bem.
A sociedade impôs o padrão de que temos que trabalhar durante X horas diárias, sem parar. Porque se pararmos é sinal de preguiça. Não é. E não trabalharmos durante as horas implícitas ou termos um emprego flexível também não é preguiça. Esticarmo-nos no sofá, dormir até mais tarde, trocar as tarefas domésticas por uma tarde de leitura, entre tantas outras coisas que fazemos e que somos todos julgados a seguir, não é preguiça! Porque é que temos que esperar pelo fim de semana para descansar? Porque é que não podemos fazê-lo todos os dias?
Aproveita e reconecta-te com a tua essência, com a tua vontade, com o teu corpo. Ouve os sinais que te são transmitidos todos os dias e que tens ignorado. Abranda um pouco. Está tudo bem. Todos precisamos.
Existem dois tipos de pessoas:
Aquelas que acreditam que os sonhos são apenas sonhos, que é e sempre será algo inatingível. Que mesmo que se esforcem para tal, ao mínimo obstáculo assumem que não é para elas aquele pensar tão grande. Que dizem que os sonhos é para quem tem sorte. Aquelas que soltam suspiros deitadas na cama a olhar para o teto, a pensar quão boa seria a vida se o sonho lhes batesse à porta. Que desejam e desejam e desejam, mas que no fundo não acreditam naquilo que elas próprias anseiam.
E há aquelas que são movidas pelos sonhos. Que por muito mal que a vida pareça correr, há sempre um reforço positivo por se crer que se está mais perto daquilo que acreditamos. Que acreditam mais nelas próprias do que em qualquer outra pessoa. Aquelas que não dão ouvidos a quem não acredita que os sonhos são para ser realizados. Que torcem pelos seus próprios sonhos e pelos sonhos dos outros. Aquelas que acreditam que podem mudar o mundo. Que são felizes apenas por saber que vão viver grandes feitos e grandes experiências, tão grandes do tamanho dos seus sonhos.
Qual das duas és tu?
Querida Joana,
Hoje acordámos sem despertadores, às horas que nos apeteceu, bem... Com a ajuda da Gaia a fazer asneiras pela casa. Almoçámos a pizza do jantar do dia anterior e enfrentámos o tempo nublado a cheirar a chuva pelo mato dentro de camisolas de alças e de trelas nas mãos com os cães. Andámos, andámos e vimos sítios dignos de duendes e fadas. Entretanto choveu e nós continuámos de camisolas de alças e a andar pela serra fora. Fomos descansar um pouco a casa antes de ir ao rio. Foi a primeira vez que a Gaia teve contacto com a água. Foi bom aproveitar o sol nos nossos corpos despidos à beira rio. Descalços andámos por cima de pontes de pedras pequenas e redondas, de corpos arrepiados entrámos pelas águas geladas de um rio que ainda não fora aquecido pelo sol. E aí descobri que uma das minhas sensações preferidas é ter o corpo molhado pelas águas geladas de um rio. Voltámos descalços para o carro e fomos jantar a um dos nossos restaurantes preferidos, num salão só para nós, deixámos passar o tempo e fomos deixar os cães a casa. Fizemo-nos à estrada e fomos mergulhar no filme mágico que conta a história de Elton Jonh. De volta para casa, eu adormeci mais uma vez e o João permaneceu acordado pela estrada fora. Ao deitar nos lençóis ainda sentia todo o meu corpo inundado daquela frescura a saber a rio e a felicidade da mais pura e verdadeira.
Muitas vezes desejo que a vida seja esta felicidade de estar de corpo gelado e molhado pelas águas dos rios e cascatas.
Com um amor desmedido pela vida, Joana
20 de Junho de 2019.
Naquela manhã de fevereiro, quando baralhei as cartas macias e sedosas dos anjos e as deitei na mesa da cozinha, elas previram uma mudança, mas também me asseguraram que acabaria tudo por correr bem; o que era uma grande melhoria em relação a ver-me frente a frente com o Enforcado ou a Morte durante o pequeno-almoço de cereais, e a tentar interpretar a sua leitura como algo um pouco menos carregado de maldição do que a impressão inicial.
Para começar, este é um livro de 2011, que li num daqueles verões em que tinha as hormonas aos saltos e em que comecei a namorar, mas as férias de Verão tinham-se tornado uma seca porque ficaria sem namorar durante umas semanas... E, segundo a minha mãe, este foi um dos livros que o meu pai me ofereceu - sempre encolhendo-os pelo título. Também me disse que barafustei imenso dizendo que o livro não prestava mas, na falta de algo melhor de se fazer, de férias no Algarve durante semanas que mais pareciam séculos, li-o "empurrando" a leitura pelas semanas fora e não percebendo nada da história porque, caso contrário, teria-o adorado e nunca me teria esquecido do que tinha lido.
Este livro fala sobre chocolate (em toda a parte), amores perdidos, mudanças, magia, bruxas, igrejas, aldeias pequenas, tarôt, anjos e amor encontrado.
"o amor encontrará um caminho"
Mas deixem-me dizer que a autora enrola muito, depois nos últimos capítulos a história começa a avançar toda muito depressa e a tradução para o português não é tão floreada assim, mas isso não é o pior. O pior mesmo é aquela sensação de querer saltar parágrafos que estão só ali para encher. Acho que esse é um dos grandes defeitos das grandes autoras que fazem romances como quem faz bolos instantâneos de microondas: enchem muito os livros de passagens que não interessa assim tanto e enrolam imenso de modo a que, no final, aparecem com grandes calhamaços nas livrarias. (Isto é a minha opinião, não querendo ofender ninguém, afinal, eu li este livro e outros de autoras de sucesso com romances aos montes e gostei)
Mas sabem aqueles romances quentinhos e aconchegantes? Este fez-me sentir que era um desses. Embora nos enrole muito e nos atire com todo um final feliz nos últimos capítulos, é delicioso. Gostava mesmo de vos fazer comparações mas não estou a ver nenhuma que não evidencie o que acontece no livro, e assim já não ficariam surpreendidos com o desenrolar da história.
Bom, mas envolve amizades duradouras, coisas que não acontecem nada por acaso, rituais pagãos e vigários que nos surpreendem, como o tarôt está sempre certo e como a vida e a nossa perspetiva sobre ela pode mudar de um momento para o outro. Isto é como se fôssemos a ver a vida como ela é, mas do lado de fora, em que, quando tudo nos corre mal parece não haver emenda, mas depois fica tudo bem e a vida sorri de todos os lados. E a vida é este ciclo, de coisas boas e de coisas más, e de coisas que nunca acontecem por acaso.
Fala de religiões como o paganismo (bruxaria, religião Wicca) e cristianismo, e "como ao longo dos tempos e através de diferentes culturas, chegaram a Deus, não pode ser uma coisa má, certo?" mostra tanto esta harmonia e da aceitação da cultura do outro e de como ambas se entrelaçam, como se pode ter, simultaneamente, um pentagrama e uma cruz pendurados ao pescoço no mesmo fio, e como se pode, simultaneamente, acreditar em anjos e fazer orações de origem Maia sob caldos de chocolate ao lume.
Acredito que tudo vem num propósito e no tempo certo, este livro veio-me parar às mãos, uma vez mais, num período de debate interior e a transmitir-me mensagens bonitas sobre as quais sempre tive curiosidade. Lembrem-se que, sempre que tiverem um livro na mão, ele está prestes a ensinar-vos o que vocês terão que aprender, no tempo certo.
hoje passei o dia a ler.
Já me tinha esquecido do que isso é, parar um bocado e refugiar-me num livro. Embora toda a gente diga que não ando a fazer nada, não é verdade, tenho trabalhado todos os dias pela minha marca e no meu trabalho. É difícil não darmos ouvidos ao que os outros dizem mas, afinal, ninguém tem nada a ver com o nosso caminho nem tem nada a dizer sobre o que não lhes diz respeito. E o que sabem os outros do que sentimos e do quão cansados estamos ao ponto de pararmos um pouco e ler durante horas a fio, envolvidos na luz de fim de tarde?
Prende-me muito e limita-me o facto de não conseguir fazer o que a minha alma pede e anseia sem que não seja julgada e constantemente bombardeada de opiniões alheias. Como grandes mãos que me envolvem o pescoço e me apertam sem que possa respirar. Como se ver o mundo com os nossos próprios olhos fosse blasfêmia, e querer fazer valer os meus sonhos e ambições mais saídos da caixa fosse coisa pior ainda.
E, como se não bastasse, abrandar quando o meu corpo me pede parece ser coisa de gente preguiçosa, trabalhar para nós e por nós sem que ninguém veja o esforço e tudo ao pormenor faz com que seja reconhecido como trabalho nulo. Mas não faz mal, enquanto os outros vivem de trabalho, não se respeitam a eles próprios nem o ritmo que o corpo pede, vivem de sonhos que esvoaçam pela mente e que eles sopram para longe, convencidos de que as coisas grandes estão guardadas para quem tem sorte.
Queridos seres humanos que me lêem, a vida pertence aos grandes sonhadores que acreditam neles próprios e que constroem um mundo que idealizam. É possível viver a vida dos nossos sonhos, se nos direcionarmos para ela, não existem pessoas com sorte, isso é discurso de quem fica sentado a ver a vida passar e que, no fim das contas, não vive. Ah! E não se esqueçam de ignorar por completo o que os outros dizem ou acham. O que fazemos ou deixamos de fazer, o que gostamos ou deixamos de gostar, o que sentimos e respeitamos tem apenas a ver connosco. O resto são opiniões alheias e caídas do ar.
"Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que, de facto, realmente mudam."

Que fique bem claro isto: sou uma pessoa sensível, daquelas que quando vê sangue cai para o lado e que fica com pele de galinha a ouvir Freddy Mercury. Sou uma Maria Madalena, chorona com tudo, coisas felizes e menos boas também, desde filmes (não têm que ser necessariamente românticos) a abraços que duram tanto como uma brisa de Verão.
Vocês estão a ver o que quero dizer.
Desde que comecei a namorar com a pessoa que anda hoje comigo de mão dada para todo o lado, tenho derramado lágrimas, tenho crescido muito e tenho visto um mundo que sempre existiu mas que me estava oculto.
O meu namorado é uma pessoa tão ou mais sensível quanto eu - embora eu exagere e o demonstre (muito) - e tem um vínculo muito forte para com a natureza, foi com ele que aprendi a mexer na terra, a conviver com outros seres, a conhecer outros lugares, a lidar e respeitar a vida natural. O João está ligado à caça, à agricultura e à criação de animais desde cedo, foi aprendendo com os avós no Alentejo, e acho que a alma dele pertence a este vínculo que tem com a Mãe Terra.
Eu sei que este termo - a caça - ainda não é aceite por aqui, aliás, não é compreendido. No início houve uma luta interna em mim por ter uma pessoa de quem gostava tanto mas que, ao fim e ao cabo, estava ligado à caça. Com toda a paciência e amor que teve, o João explicou-me e fez-me ver que não devo julgar o que não compreendo, devo questionar-me o porquê de existir tal feito e, depois, tirar as minhas conclusões. Eis que começo a interiorizar um dos mantras que trago comigo até hoje: Não odeies o que não compreendes.
Explicou-me que os verdadeiros caçadores, são quem fazem com que os ecossistemas fiquem em equilíbrio, são respeitadores ao ponto de serem estudados todos os habitats, períodos de acasalamento e outros tantos, idade média de cada ser vivo e toda uma gama de informações. Ele explicou-me que há caçadores que transportam animais de um lugar para outro, para que haja um "repovoamento" daquela espécie, que monitorizam sempre a vida selvagem em prol de todo o ecossistema, para que este viva em equilíbrio. Há caçadores e caçadores, há os que matam por desporto, e os que têm respeito pela vida e pela natureza. Decerto já viram no jornal de notícias centenas de agricultores que ficaram sem o gado, sem o seu único sustento, devido a javalis, saca-rabos, raposas, lobos e outros predadores. Tudo isto porque a caça se tornou proibida. E, para deixar de existir esta monitorização, para deixar viver uns, outros tantos morrem (muitos mais). Mas isto é um modo de ver que apenas quem vive do campo aprende a ter, e quem se questiona e interioza isto a fundo, ao fim de algum tempo, consegue ter. Não estou aqui a tentar impingir este modo de ver as coisas, estou apenas a contar-vos a minha aprendizagem, o mundo oculto que estava à minha frente e que eu não sabia e não compreendia.
Esta tarde, uma colega da minha mãe contou-me que o peixinho lá de casa morreu e que deu com a filha mais nova a chorar na casa de banho porque não conseguia meter o peixe pela sanita abaixo. Eu automaticamente pensei: caramba, eu era assim! Era. Ao longo destes anos encarei a morte de tantos seres por ter começado a conviver com eles. Por cada pintainho que morria numa ninhada (e morrem muitos, é a lei da sobrevivência, apenas os mais fortes sobrevivem) eu chorava e não conseguia enterrá-los. Hoje, já acompanhei tantos nascimentos que sei que, de dez pintos talvez fiquem uns cinco. Já vi todas as nossas galinhas serem mortas devido a raposas e cães selvagens, e muitas delas tivemos que as abater por não as conseguirmos salvar. Já cuidamos de galinhas que estiveram à beira da morte, mas que conseguimos curá-las com dedicação, paciência e tempo.
Todo este ciclo da vida natural é tão cru e tão nu que parece que nos tira muitos fôlegos até começarmos a entender que é assim. Que a morte existe e que a vida também.
Todo este ciclo existe, é cru mas não é nu para toda a gente. É-nos omitido este mundo oculto. Que tem tanto de belo como de horripilento, mas que é natural.

Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.
Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.
Vai-se vendo crescer a alma de uma criança, o ser mais puro e inocente. Há todo um crescimento gradual, porém também rápido, da mente de uma menina que só querer rir e brincar e aproveitar o ar fresco e a liberdade. Nota-se a menor importância que se dá a uma criança por parte dos adultos, por parte de toda a gente. Por menosprezar o olhar que a criança tem em assuntos de "maior complexo".
Este livro faz com que analisemos todo o nosso ser, toda a nossa atitude e ação, todos os nossos sentimentos perante algo, todos os nossos pensamentos sobre algo. Anne faz uma profunda análise ao ser que foi, que é e que será um dia. No fundo escreve sobre os seus sentimentos, mas de uma maneira tão profunda, transparente, limpa, crua. Vamos mudar muito a forma de ver o mundo. Vamos mudar muito a forma de ver as situações e o modo como reagimos a elas. Caramba, querida Anne, que grande propósito tiveste tu.
- os excertos que guardei para mim -
"Assim podemos encontrar-nos nas quartas e sábados, à tarde e à noite, e no domingo, à tarde, e talvez mais vezes ainda.
- Mas os teus avós não estão de acordo. Não deves fazer isso às escondidas.
- No amor ninguém manda."
"Uma coisa te vou dizer: se quiseres conhecer bem uma pessoa, tens de te zangar uma vez com ela. Só então é que podes julgá-la."
"Nada importa se pudermos salvar alguém, diz o pai, e tem toda a razão."
"Quanto a mim continuarei calada e fria e nunca terei medo da verdade. É sempre melhor não adiar o que se tem a dizer."
"Tiro os cortinados escuros da camuflagem, respiro um pouco de ar fresco pelas fendas até ficar bem acordada. Quando depois tiro as roupas da cama, já não sinto a tentação de deitar-me. Sabes como a mãe chama a isto? ."
"Quando o senhor Koophuis entra, nasce o sol"
"Mas digo-o como se se tratasse de um castelo no ar e não de um tempo que se tornará, algum dia, para mim realidade"
"O homem é grande de espírito mas mesquinho nas ações."
"Enquanto ainda há disto, pensei, um sol tão brilhante, um céu sem nuvens e tão azul, e enquanto me é dado ver e viver tamanha beleza, não devo estar triste."
"Para qualquer pessoa que se sinta só ou infeliz, ou que esteja preocupada, o melhor remédio é sair para o ar livre, ir para qualquer parte, onde possa estar só; só com o céu e com a natureza (...). Então compreende que tudo é como deve ser (...)."
"Foi o que compreendi, de repente, hoje de manhã, quando estava sentada junto da janela (...). Ao olhar lá para fora e ao reconhecer Deus na natureza, senti-me feliz, apenas feliz. Oh, Peter, enquanto esta felicidade está em nós, esta felicidade da natureza, da saúde e de muitas coisas mais, enquanto formos capazes de conservar tudo isto em nós, a felicidade voltará sempre de novo. Fortuna, fama, tudo podes perder, mas a felicidade do coração, ainda que por vezes esteja obscurecida, torna a vir enquanto viveres. Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade. "
"Aquele que é feliz, espalha felicidade."
"O que poderá haver de mais belo no mundo do que olhar a natureza pela janela aberta, do que ouvir cantar os pássaros, sentir o sol no rosto e ter nos braços um rapaz muito querido?"
"O homem nasce com o instinto da destruição, do massacre, da fúria, e enquanto toda a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá sempre guerras."
"Cada vez mais sinto como o meu espírito se desenvolve, sinto a libertação que se está aproximando, sinto como é bela a natureza e como é boa a gente que me rodeia."
"(...) sinto a falta de qualquer coisa de mais autêntico, e eu tenho a certeza de que essa coisa existe."
"Todos vivemos sem saber porquê e para quê, todos procuramos ser felizes, todos vivemos de um modo diferente e no entanto somos todos iguais."
"Como seria bela e boa toda a humanidade se, antes de adormecer à noite, evocasse os acontecimentos do dia que passou, se refletisse no que foi bom e no que foi mau."
"Assim podemos encontrar-nos nas quartas e sábados, à tarde e à noite, e no domingo, à tarde, e talvez mais vezes ainda.
- Mas os teus avós não estão de acordo. Não deves fazer isso às escondidas.
- No amor ninguém manda."
"Uma coisa te vou dizer: se quiseres conhecer bem uma pessoa, tens de te zangar uma vez com ela. Só então é que podes julgá-la."
"Nada importa se pudermos salvar alguém, diz o pai, e tem toda a razão."
"Quanto a mim continuarei calada e fria e nunca terei medo da verdade. É sempre melhor não adiar o que se tem a dizer."
"Tiro os cortinados escuros da camuflagem, respiro um pouco de ar fresco pelas fendas até ficar bem acordada. Quando depois tiro as roupas da cama, já não sinto a tentação de deitar-me. Sabes como a mãe chama a isto? ."
"Quando o senhor Koophuis entra, nasce o sol"
"Mas digo-o como se se tratasse de um castelo no ar e não de um tempo que se tornará, algum dia, para mim realidade"
"O homem é grande de espírito mas mesquinho nas ações."
"Enquanto ainda há disto, pensei, um sol tão brilhante, um céu sem nuvens e tão azul, e enquanto me é dado ver e viver tamanha beleza, não devo estar triste."
"Para qualquer pessoa que se sinta só ou infeliz, ou que esteja preocupada, o melhor remédio é sair para o ar livre, ir para qualquer parte, onde possa estar só; só com o céu e com a natureza (...). Então compreende que tudo é como deve ser (...)."
"Foi o que compreendi, de repente, hoje de manhã, quando estava sentada junto da janela (...). Ao olhar lá para fora e ao reconhecer Deus na natureza, senti-me feliz, apenas feliz. Oh, Peter, enquanto esta felicidade está em nós, esta felicidade da natureza, da saúde e de muitas coisas mais, enquanto formos capazes de conservar tudo isto em nós, a felicidade voltará sempre de novo. Fortuna, fama, tudo podes perder, mas a felicidade do coração, ainda que por vezes esteja obscurecida, torna a vir enquanto viveres. Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade. "
"Aquele que é feliz, espalha felicidade."
"O que poderá haver de mais belo no mundo do que olhar a natureza pela janela aberta, do que ouvir cantar os pássaros, sentir o sol no rosto e ter nos braços um rapaz muito querido?"
"O homem nasce com o instinto da destruição, do massacre, da fúria, e enquanto toda a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá sempre guerras."
"Cada vez mais sinto como o meu espírito se desenvolve, sinto a libertação que se está aproximando, sinto como é bela a natureza e como é boa a gente que me rodeia."
"(...) sinto a falta de qualquer coisa de mais autêntico, e eu tenho a certeza de que essa coisa existe."
"Todos vivemos sem saber porquê e para quê, todos procuramos ser felizes, todos vivemos de um modo diferente e no entanto somos todos iguais."
"Como seria bela e boa toda a humanidade se, antes de adormecer à noite, evocasse os acontecimentos do dia que passou, se refletisse no que foi bom e no que foi mau."


Gostava que acreditassem. Nelas mesmas primeiro, depois, no resto. Gostava que usassem a voz para dizer um "NÃO" bem alto à gritaria desnecessária, a quem as trata com desdém, a quem não lhes dá amor, a quem nada acrescenta às suas vidas. Gostava que entendessem que quem tem que gostar de as ver ao espelho são elas, que quem tem que as respeitar primeiro e acima de tudo são elas, que quem tem que entender o seu tempo, o seu ritmo, e respeitar as suas vontades são elas também. Gostava que, de uma vez por todas, percebessem que merecem todo o amor do mundo, que se é para estar com alguém que seja alguém que lhes dê as coisas mais bonitas que alguma vez imaginaram e, se ninguém o fizer, elas próprias estarão bem sozinhas e de amor-próprio gigante no peito.
Gostava que se amassem primeiro e o verbalizassem para elas próprias, e assim descobrirem que amor atrai amor. Que descobrissem que assim o mundo é muito mais bonito.


Às vezes só me apetece ficar escondida, sabem? Num daqueles sítios em que parece que o mundo acabou lá fora e onde nem dão pela nossa falta. Num sítio onde sentimos que ali passamos despercebidos e podemos ficar até ganharmos coragem para enfrentarmos o mundo outra vez. Sinto isto tantas vezes. Às vezes apetece-me gritar que a vida é bonita e andar por aí de sorriso exposto a ver se contagio alguém, outras vezes parece que não há mais nada para além da rotina, parece que não vou conseguir superar a situação, que estou a ser engolida pelo que está a acontecer à minha volta, até tenho a sensação de que a vida está a andar depressa demais para mim e, por mais que queira, não consigo mexer-me, e então só me apetece esconder. Sinto-me tão sozinha que o que me apetece é estar mesmo sozinha.
Eu sei que há dias assim, dias maus e dias bons. E dias maus para reconhecer os bons. Com isso vem sempre uma dose de exagero. Ou estamos radiantes de felicidade, ou estamos tremendamente infelizes. Também são assim? Parece que a vida só dá para ser vista da montanha russa mais radical e invariável que existe. E é com essa noção que muitas vezes penso "ok, os maus bocados parece que demoram, mas tal como o que é bom acaba depressa, o que é mau também há-de acabar", "agora estou mal, mas amanhã posso estar melhor, pode acontecer alguma coisa de bom", tal como chega a acontecer o contrário.


Tenho andado tão focada em mim, que pensei em partilhar os rituais que me têm curado aos poucos e me têm feito sentir muito mais em paz, muito mais eu. A batalha diária de construírmos o nosso ser interior, de nos livrarmos de qualquer energia que nos afeta, de qualquer toxicidade, de florescermos, não é algo que aconteça da noite para o dia, não é algo que dê frutos de um dia para o outro. É algo devagar e subtil, ao seu tempo, ao seu ritmo, como deve ser. Aprender a ser paciente, a ter equilíbrio, a calar o mundo e ouvir o eu, a ter calma e a saber respirar e sentir. No fundo aprendemos tudo outra vez, nascemos de novo.
Encaro isto como uma semente de uma flor bonita, a semente que coloco na terra é a da coragem e força de vontade de começar, é importante regá-la, todos os dias, com persistência, carinho, coragem uma vez mais. Não perder a calma e saber respirar é essencial. Não vamos conseguir estar aptos a enfrentar o mundo a toda a hora, e está tudo bem. Há alturas em que desabamos, outras em que só respiramos confiança. Faz parte do processo.

No fundo, tudo o que estou a aprender é a calar o mundo e a ouvir-me a mim. Acho que é o mais difícil. Somos influenciáveis, inconscientemente temos a necessidade de nos sentirmos aceites por entre as pessoas que nos rodeiam, o ser humano é mesmo assim. A família, os amigos e pessoas mais próximas também constroem o nosso ser, desde sempre, tudo o que somos devemo-lo, também, às pessoas que estão e que passam por nós, deixando aprendizagens boas ou más.
Muitas vezes achamos algo errado, questionamo-nos acerca de certa atitude ou ato ou sentimento. Mas, por as pessoas em redor o fazerem, o acharem correto, não determina de que tu, como pessoa individual, não tenhas opinião própria, mesmo que vá contra os princípios e ensinamentos que tiveste durante a vida inteira. É isto que é difícil, desfazeres-te de uma identidade que criaram para ti, por ainda não teres a autonomia de o fazeres sozinho, de o pensares por ti. É por isso que se diz que as pessoas crescem, porque deixam de depender dos outros, deixam de seguir os passos de alguém e começa a caminhar sozinhos, desenvolvem opinião própria e vontade própria.

Desde que me sinto crescer aos poucos, que me sinto presa ao que toda a gente acha, toda a gente diz, toda a gente pensa, toda a gente faz. Foi preciso ganhar muita coragem para enfrentar o mundo e querer crescer como deve ser, como eu quero, como eu penso, como eu acho. Tudo isto pode durar algum tempo, e realmente, quando não estamos bem, as coisas dão para o torto e a vida mostra-nos que, primeiro, a transformação vem de dentro.
Não podendo mudar algumas mentalidades em redor de mim, e respeitando-as como gostaria que respeitassem a minha, tenho aprendido a desprender-me de energias que me intoxicam, que me puxam para baixo, que me fazem virar costas ao caminho que pretendo seguir. Não é necessário gritaria desnecessária, nem gastos de energia a querer contrariar o outro, deixemos estar, entra por um ouvido e sai pelo outro, o orgulho não se deve sobrepor ao nosso bem estar interior. Somos muito mais. Daí dizer que, primeiro, calamos o mundo para nos ouvirmos e, depois, tudo se tornará mais claro.
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Sai um bocadinho daqui, do ecrã, da vida que não existe mas que se insiste e persiste tanto tempo e energia nela, que absurdamente se vai tornando mais e mais importante para o mundo.
Não passes tempo a ver stories cínicas sobre a vida dos outros, não estejas para aí a distribuir likes para encher o ego de alguém de nada. Como se o nosso coração transbordasse se tivermos o máximo de likes de todas as pessoas que existem num mundo que não existe. Pensar que há 10 anos os telemóveis não eram primordiais ao ponto de ser a primeira coisa a "não esquecer em casa" ao invés das chaves. Pensar que, há 20 anos, o que as pessoas faziam quando estavam aborrecidas ou apenas porque gostavam era ouvir música com um leitor de CDS portátil ou ler um livro mesmo que já o tenham lido milhentas vezes.
Pensar que hoje a nossa extensão como ser humano é o smartphone e toda a tecnologia que nos molda - e não, não nos une. Estamos cada vez mais sozinhos, frios, mecanizados. Mexer no telemóvel tornou-se um refúgio tão absurdo que parece crime não o ter, esquecer-me dele em casa, ou simplesmente não ligar nenhuma a esse aparelho que, apenas há uns anos atrás, nos era dispensável. Porquê agora? Porque é que isto se tornou tão valioso e rotineiro, tão automático procurar fazer tempo no telemóvel, quando o que realmente se faz é gastar o tempo. Com nada, na verdade.
Imaginando que, um dia viajamos para um sítio bonito e que, felizmente, não está tão avançado em termos tecnológicos, então ainda se vê a população ter um comportamento como há 20 anos atrás. Imaginando que, durante essa viagem bonita perdemos o telemóvel, por aí. Imaginando que, estando num sítio desprovido de tecnologia, não conseguirás comprar qualquer equipamento desse género. Imaginando que terás que passar o resto do tempo sem essa extensão que nos impuseram. E agora? Brecamos sem as selfies, sem as postagens, as cuscuvilhices da vida dos outros, os likes que nada nos dão? Será? Vamos experimentar? Talvez a morte não seja certa, porque afinal, apenas há uns anos atrás, era dispensável.

Um conto tão antigo como o tempo...
Bela quer mais da vida do que a pequena aldeia de Villeneuve tem para oferecer. É uma rapariga diferente das outras pessoas, com as suas próprias ideias, muito independente e cheia de força de vontade, além de adorar livros. Anseia por viagens e aventuras, por uma vida tão emocionante como as histórias que lê.
No entanto, quando o seu querido pai é feito prisioneiro por um monstro, num castelo encantado, o caminho de Bela muda para sempre. Pondo em risco a sua liberdade e o seu futuro, toma o lugar do pai no seu sequestro, com a secreta promessa de fugir.
Mas, quanto mais vai sabendo sobre o monstro e o castelo misterioso, mais Bela se apercebe que talvez a história dele — tal como a sua — seja mais importante do que alguma vez poderia ter imaginado.
Quando era pequena, via repetida e entusiasticamente a "Branca de Neve e os Sete Anões", apesar de a parte do bosque enfeitiçado me dar calafrios a todas as vezes em que assistia aquela cassete que já sabia de cor. Fui uma criança feliz, rodeada de histórias de encantar, em forma de livros - que devorava todos os dias - e de cassetes, já tão gastas de vistas tantas vezes.
Às vezes pergunto-me o porquê daquela paixão pela Branca de Neve, todas as histórias de encantar são bonitas, mas não compreendo o que o meu eu criança via de tão mais fantástico naquela do que em todas as histórias.
Hoje, caramba, tenho a certeza, a minha história de encantar preferida é "A Bela e o Monstro". As próprias canções fazem o coração parar e acelerar ao mesmo tempo, faz-nos ficar rodeados de pó de ouro como num feitiço. Toda a história e pormenor, todo o amor que transborda e a mensagem que transmite, o meu coração não aguenta.
Faz-nos crer que toda a gente tem um lado bonito. Sempre acreditei nisso. Que há muito mais além-aparência. Que o amor se sente e não se vê. Que a vida dá voltas bonitas. Que o amor é a coisa mais bonita e mais forte que existe. Parece magia. E é.
Ter esta mensagem bonita num livro é tão bom, quando vem acompanhado de uma história de encantar, um conto tão antigo como o tempo, e de uma nostalgia que nos faz ser criança outra vez, talvez seja a minha história preferida de todo o sempre.
Ter esta mensagem bonita num livro é tão bom, quando vem acompanhado de uma história de encantar, um conto tão antigo como o tempo, e de uma nostalgia que nos faz ser criança outra vez, talvez seja a minha história preferida de todo o sempre.


Há muito que tenho dito que quero mudar o mundo à minha volta, e acredito que todos tenhamos as nossas batalhas cá dentro, quando nos fechamos em casulos, ainda pequenas lagartas. Ninguém disse que o processo de metamorfose ia ser fácil, não basta decidir por um dia que simplesmente vamos lutar por nós e dar o nosso melhor, teremos que o decidir todos os dias como as flores que crescem banhadas pelo sol, e que se vão virando para ele a cada nascer de um novo dia, para a energia certa.
Sejamos flor que, a cada nascer do sol, decida alimentar-se de energia boa, que a faça crescer mais e melhor, ao seu ritmo, e não ao ritmo das outras que estão no mesmo processo. É importante respeitar o tempo de cada flor, pois cada uma delas é um ser diferente, bonita à sua maneira. Alimenta-te de energias positivas acima de tudo, de sol e não de escuridão. A partir do momento em que decides cuidar de ti e fazer do teu bem estar prioridade, instintivamente vais afastar-te de coisas e pessoas que sentes que te transmitem energias negativas. Não deixes de sentir e seguir esse instinto.
Não há nada de errado contigo. Vamos levar a vida inteira a crescer, mudar e aceitar o nosso eu. É um processo longo e de auto conhecimento que tens que ter coragem e vontade para fazer. Todos os dias, estar contigo e saber ouvir o que o coração tem a dizer. É tudo tão simples e mágico, que toda esta confusão onde estamos metidos no dia a dia ensurdece. É só saber calar o mundo e ouvires-te a ti. O coração reconhece o teu devido valor e sabe todas as respostas às perguntas que te colocas. Tudo a teu tempo.
"How does one become a butterfly?" - she asked.
"You must want to fly so much that you are willing to give up being a caterpillar."
Coragem, borboleta.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Na estante: As Flores Perdidas de Alice Hart
Um romance sobre as histórias que deixamos por contar e sobre as que contamos a nós próprios para sobrevivermos.
Alice tem nove anos e vive num local isolado, idílico, entre o mar e os canaviais, onde as flores encantadas da mãe e as suas mensagens secretas a protegem dos monstros que vivem dentro do pai.
Quando uma enorme tragédia muda a sua vida irrevogavelmente, Alice vai viver com a avó numa quinta de cultivo de flores que é também um refúgio para mulheres sozinhas ou destroçadas pela vida. Ali, Alice passa a usar a linguagem das flores para dizer o que é demasiado difícil transmitir por palavras.
À medida que o tempo passa, os terríveis segredos da família, uma traição avassaladora e um homem que afinal não é quem parecia ser, fazem Alice perceber que algumas histórias são demasiado complexas para serem contadas através das flores. E para conquistar a liberdade que tanto deseja, Alice terá de encontrar coragem para ser a verdadeira e única dona da história mais poderosa de todas: a sua.
Não sei se é por ultimamente andar fascinada por flores. Um livro repleto de flores, de ilustrações bonitas e de flores nas palavras, que combinação maravilhosa.
É tão bom começar o livro na pele de uma criança, não me lembro do último livro que li em que isto acontece, mas é das coisas mais bonitas na escrita: a história revela-se de maneira leve, pura, intuitiva, sem más intenções, inocente e cheia de ternura. Desde o início que senti um quentinho no peito com esta história, e verdade seja dita que estava com altas expectativas - e Holly Ringland superou-as.
"Parece um conto de fadas" era o que me passava pela cabeça cada vez que lia. O aroma das flores, o mar, os livros, os desejos de uma criança. Todos os significados tão bem desenhados nesta história bem como todo o equilíbrio entre drama e finais felizes. Entre altos e baixos na medida certa. Todos os sítios para onde Alice foi e para onde me levou com ela. Parece mesmo um conto de fadas, não repleto de bonança, mas de coisas bonitas pelo meio de detalhes que nos deixam os olhos cintilantes como estrelas.
Fiquei com a sensação de que isto é mais do que um livro, mais do que uma história, nunca tinha lido um livro tão bonito, com tanto significado florido. No fim percebe-se o porquê das "flores perdidas" de Alice Hart. Que grande criação, Holly Ringland. Este vai para a minha estante do peito, e vai-me passar pelo colo muitas mais vezes.
Os meus excertos preferidos:
"Pela descrição de Agnes, Alice imaginava que uma biblioteca seria um sereno jardim de livros onde as histórias brotavam como flores."
"(...) descansava no sofá, vendo o sol acabar de pintar as nuvens e passar o seu pincel às estrelas."

Mudar o mundo. Sensibilizar, consciencializar, fazer sentir e fazer pensar. Tocar no coração e na alma e mostrar que a vida é bonita. Reciclar para ajudar o mundo a crescer. Pensamentos, palavras, objetos, sentimentos.
Todos temos algo por dizer, algo para mostrar ao mundo e algo que fazer por aqui, no tempo efémero que a vida nos dá. Resta-nos saber como expressar o que temos cá dentro, porque o que temos a dizer já nós o sabemos desde sempre.
Sabem aqueles sonhos de menino, em que queremos ser heróis do mundo, salvar donzelas em perigo ou usar varinhas de condão para espalhar a magia? É precisamente isso. Ainda tenho esse modo de ver o mundo, ingénuo e inocente. Ainda acredito que posso espalhar magia por aí e salvar donzelas - e cavalheiros também. Acho que é isso que tenho andado a fazer.
O mundo que me perdoe se o desiludo com estes sonhos de espalhar magia numa varinha de condão, mas quero mudá-lo para melhor, para o mar de rosas que a vida é e que toda a gente diz que não.

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