na estante

1974, Alasca. Indómito. Imprevisível. E para uma família em crise, a prova definitiva. Ernt Allbright regressa da Guerra do Vietname transformado num homem diferente e vulnerável. Incapaz de manter um emprego, toma uma decisão impulsiva: toda a família deverá encetar uma nova vida no selvagem Alasca, a última fronteira, onde viverão fora do sistema. Com apenas 13 anos, a filha Leni é apanhada na apaixonada e tumultuosa relação dos pais, mas tem esperança de que uma nova terra proporcione um futuro melhor à sua família. Está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo. A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. Inicialmente, o Alasca parece ser uma boa opção. Num recanto selvagem e remoto, encontram uma comunidade autónoma, constituída por homens fortes e mulheres ainda mais fortes. Os longos dias de verão e a generosidade dos habitantes locais compensam a inexperiência e os recursos cada vez mais limitados dos Allbright.
À medida que o inverno se aproxima e que a escuridão cai sobre o Alasca, o frágil estado mental de Ernt deteriora-se e a família começa a quebrar. Os perigos exteriores rapidamente se desvanecem quando comparados com as ameaças internas. Na sua pequena cabana, coberta de neve, Leni e a mãe aprendem uma verdade terrível: estão sozinhas. Na natureza, não há ninguém que as possa salvar, a não ser elas mesmas. Neste retrato inesquecível da fragilidade e da resiliência humana, Kristin Hannah revela o carácter indomável do moderno pioneiro americano e o espírito de um Alasca que se dissipa - um lugar de beleza e perigo incomparáveis. A Grande Solidão é uma história ousada e magnífica sobre o amor e a perda, a luta pela sobrevivência e a rudeza que existe tanto no homem como na natureza.
Quando não conhecemos um livro e olhamos para ele pela primeira vez, tentamos imaginar a magia que vai naquelas páginas. Depois de o ler, nunca mais olharemos para ele da mesma maneira. Os livros albergam tesouros, riqueza. E quando vivemos a magia da história que um livro guarda, torna-se como um amigo que nos tocou o coração e não conseguiremos jamais esquecer.
Estou há tento tempo para ler A Grande Solidão. Já deve ter feito 1 ano. Sigo imensas pessoas que partilham os livros que leem e este deixou-me com um desejo enorme de viver o que ele guardava. Foi-me oferecido no natal - um ano depois de eu descobrir que ele existe e de o desejar tanto. E caramba, depois das festas mergulhei de cabeça no livro em que eu tinha a certezinha que ia vibrar com ele. Pelo simples facto de ter inscrito na capa "amor" e "Alasca".
O título já dá por si só um indício de que a história irá abater-se sobre nós de alguma forma, de que irá pesar, de que virá muito secretismo e suspense. Algo me dizia que seria daqueles livros que não iria conseguir parar de querer ler mais um capítulo.
Identifiquei-me tanto com situações da vida das personagens que foi assustador. Talvez seja ou não por isso que fiquei com falta de ar ao ler imensos episódios violentos e pormenorizados. Ao chegar ao ápice da situação que o livro descrevia, eu tinha que fechar o livro por um bocadinho, fechar os olhos com força e absorver aquele bocadinho de texto que me deu calafrios. Dei por mim a desejar que a personagem não fizesse certas coisas - como quando estamos a ver um filme e dizemos "não, não faças isso!". Senti-me viva a ler A Grande Solidão.
Senti que queria ir viver para o Alasca e fez-me relembrar todas as provas de amor do meu companheiro e dos meus pais. Este livro toca-nos. Chorei tantas vezes e senti o meu coração a bater mais depressa outras tantas. Vivi muito com A Grande Solidão.
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Na estante: Apartamento partilha-se
Tiffy Moore precisa urgentemente de um apartamento barato, depois de o ex-namorado a despejar da casa onde viviam. Leon Towney é enfermeiro, faz os turnos da noite no hospital, tem um apartamento para arrendar e precisa de dinheiro para ajudar o seu irmão.
Para os dois, surge a solução perfeita: durante o dia, enquanto Tiffy está a trabalhar, Leon descansa do lado direito da cama; durante a noite, e até à manhã seguinte, Tiffy é dona e senhora do apartamento. Embora nenhum deles se encontre no mesmo espaço ao mesmo tempo, limitando as hipóteses de algo poder correr mal, os seus amigos acham que esta é a receita para o desastre e que devem existir regras.
Para que tudo possa correr bem, decidem comunicar apenas por bilhetinhos destinados a resolver questões domésticas (e da vida) e facilitar a partilha do apartamento. Mas, com ex-namorados dramáticos, colegas de trabalho doidos e, claro está, o facto de ainda não se terem cruzado, estão prestes a descobrir que, para terem uma casa perfeita, vão precisar de atirar as regras pela janela.
Para os dois, surge a solução perfeita: durante o dia, enquanto Tiffy está a trabalhar, Leon descansa do lado direito da cama; durante a noite, e até à manhã seguinte, Tiffy é dona e senhora do apartamento. Embora nenhum deles se encontre no mesmo espaço ao mesmo tempo, limitando as hipóteses de algo poder correr mal, os seus amigos acham que esta é a receita para o desastre e que devem existir regras.
Para que tudo possa correr bem, decidem comunicar apenas por bilhetinhos destinados a resolver questões domésticas (e da vida) e facilitar a partilha do apartamento. Mas, com ex-namorados dramáticos, colegas de trabalho doidos e, claro está, o facto de ainda não se terem cruzado, estão prestes a descobrir que, para terem uma casa perfeita, vão precisar de atirar as regras pela janela.
Que livro vibrante! Devorei-o em 3 dias, e no último dia comprometi-me a lê-lo de uma enfiada porque não conseguiria dormir sem saber da história toda. É demasiada paixão num livro só! Resultado: estive a ler durante 7 horas enquanto devia estar a dormir, logo fiz direta nessa noite - mas soube-me pela vida! (conselho: não leiam este livro antes de dormir).
Sabem aquelas pessoas que usam comparações tão simples e suberbas que nos perguntamos de onde é que foram buscar aquilo a determinada altura? A personagem principal é isso mesmo, sem papas na língua - e a autora escreve muitas comparações que fazemos na nossa cabeça mas não as dizemos por parecerem demasiado embaraçosas - expontânea, transparente, louca, alegre, vibrante. Adoro a Tiffy da cabeça aos pés (e ela "é grande como a vida"!).
Existem tantas emoções que são exploradas neste livro, aquele anseio de contacto entre as duas personagens principais que é interrompida por vários capítulos, deixando-nos a desejar ler mais algumas páginas para ver onde realmente acontece a cena escaldante; a raiva com que ficamos do mau da fita, toda uma coisa ardente dentro de nós que nos faz cerrar o punho e revirar os olhos a muitos episódios. Este livro fala também (e isto é uma das minhas partes preferidas - além da paixão imensa que há dentro deste livro) no abuso emocional que existe entre um casal, e sobre emponderamento feminino. Sobre o controlo que muitos parceiros exercem sobre as namoradas e sobre o quão difícil é superar todo um trauma após algo tão aterrador como a manipulação psicológica.
É simplesmente deliciosa esta criação da Beth O'Leary. Uma mensagem tão forte e bonita que nos leva à realidade que ainda existe nos dias de hoje e uma história que nos prende muito, que nos revolta, que nos anseia, que nos apaixona, que nos entristece, confunde, volta a fazer-nos ansear, sentimo-nos apaixonados novamente e toda uma montanha russa com uma história tão simples.
Sabem uma coisa? Este livro foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos, tornou-se especial, apesar de só ter ficado com ele durante 3 noites. Tem lugar, sem dúvida, na minha estante do peito.
O meu excerto preferido:
"o meu pai adora dizer: a vida nunca é simples. É um dos seus aforismos preferidos.
Mas, na verdade, acho que isso não é correto. A vida é simples com frequência, mas não reparamos em como era simples até se tornar incrivelmente complicada, tal como nunca nos sentimos gratos pela saúde até adoecermo, ou nunca damos valor à gaveta dos coolants até rasgarmos um par e não termos outros para o substituir."
Mas, na verdade, acho que isso não é correto. A vida é simples com frequência, mas não reparamos em como era simples até se tornar incrivelmente complicada, tal como nunca nos sentimos gratos pela saúde até adoecermo, ou nunca damos valor à gaveta dos coolants até rasgarmos um par e não termos outros para o substituir."
Um romance poderoso sobre a amizade, tendo como pano de fundo um circo durante a Segunda Guerra Mundial. Duas mulheres extraordinárias e as suas histórias angustiantes, de sacrifício e sobrevivência. Noa, de 16 anos, fica grávida de um soldado do exército nazi e é forçada a desistir do seu bebé recém-nascido. Vive no piso superior de uma pequena estação ferroviária, a troco de limpezas... Quando descobre dezenas de crianças judias amontoadas num vagão cujo destino é um campo de concentração, ela não consegue deixar de pensar no filho que lhe foi retirado.
E, num momento que mudará a sua vida para sempre, agarra numa das crianças e foge com ela pela noite fora sob um forte nevão. Acaba por encontrar refúgio num circo alemão, mas vai ter de aprender números de trapézio para poder passar despercebida, não obstante o azedume de Astrid, a trapezista principal. a princípio rivais, Noa e Astrid em breve criam poderosos laços de afecto entre si.
Mas como a fachada que as protege se torna cada vez mais ténue, elas têm de decidir se a amizade entre ambas é suficiente para se salvarem uma à outra - ou se os segredos que guardam deitarão tudo por terra.
Tenho a sensação de segurar entre as minhas mãos húmidas depois de acabar de ler todas estas páginas, uma obra de arte - sim, de completa arte - e simbolismo. Um dos livros mais pesados que alguma vez li, mas só soube desta carga emocional quando cheguei aos últimos capítulos. Sabem quando acabam de ler um livro e têm a certeza absoluta de que, tudo aquilo que acabaram de ler, nunca mais será apagado da vossa mente?
A autora investiga a história de famílias circenses e de judeus, e querendo prestar homenagem a todos quanto possível, cria a história de Noa, para que seja exequível essa aliança. Não consigo imaginar o quão difícil seja escrever sobre momentos e sentimentos tão sombrios e pesados que se encontram no início e no final do livro, mas são sem dúvida movidos pela vontade de mostrar o reconhecimento do passado de pessoas como as descritas no livro para o mundo.
Vejo o livro como a forma mais bonita de manter vivas as histórias inacreditáveis e quase como se fossem sonhos de tão incríveis que são.
Entre as páginas deste livro estão a ingenuidade, a coragem, o terror através dos olhos de uma adolescente contra o mundo durante a guerra; a força, a esperança, a determinação de uma mulher madura que não espera encontrar a felicidade e conforto novamente; o entrelaçar das duas no trapézio de um sítio tão mágico, digno de contos de fada, no meio da guerra - o circo. E aqui, o inesperado - completamente inesperado, que mesmo adivinhando o que vem a seguir nos conseguimos surpreender - mantém-nos suspensos como se agarrássemos uma barra de trapézio no meio do ar. Aqui até o amor nos leva de rompante.
A última frase da página de notas da autora
"Considero este livro, embora seja uma ficção, um tributo à coragem dessas pessoas."
Naquela manhã de fevereiro, quando baralhei as cartas macias e sedosas dos anjos e as deitei na mesa da cozinha, elas previram uma mudança, mas também me asseguraram que acabaria tudo por correr bem; o que era uma grande melhoria em relação a ver-me frente a frente com o Enforcado ou a Morte durante o pequeno-almoço de cereais, e a tentar interpretar a sua leitura como algo um pouco menos carregado de maldição do que a impressão inicial.
Para começar, este é um livro de 2011, que li num daqueles verões em que tinha as hormonas aos saltos e em que comecei a namorar, mas as férias de Verão tinham-se tornado uma seca porque ficaria sem namorar durante umas semanas... E, segundo a minha mãe, este foi um dos livros que o meu pai me ofereceu - sempre encolhendo-os pelo título. Também me disse que barafustei imenso dizendo que o livro não prestava mas, na falta de algo melhor de se fazer, de férias no Algarve durante semanas que mais pareciam séculos, li-o "empurrando" a leitura pelas semanas fora e não percebendo nada da história porque, caso contrário, teria-o adorado e nunca me teria esquecido do que tinha lido.
Este livro fala sobre chocolate (em toda a parte), amores perdidos, mudanças, magia, bruxas, igrejas, aldeias pequenas, tarôt, anjos e amor encontrado.
"o amor encontrará um caminho"
Mas deixem-me dizer que a autora enrola muito, depois nos últimos capítulos a história começa a avançar toda muito depressa e a tradução para o português não é tão floreada assim, mas isso não é o pior. O pior mesmo é aquela sensação de querer saltar parágrafos que estão só ali para encher. Acho que esse é um dos grandes defeitos das grandes autoras que fazem romances como quem faz bolos instantâneos de microondas: enchem muito os livros de passagens que não interessa assim tanto e enrolam imenso de modo a que, no final, aparecem com grandes calhamaços nas livrarias. (Isto é a minha opinião, não querendo ofender ninguém, afinal, eu li este livro e outros de autoras de sucesso com romances aos montes e gostei)
Mas sabem aqueles romances quentinhos e aconchegantes? Este fez-me sentir que era um desses. Embora nos enrole muito e nos atire com todo um final feliz nos últimos capítulos, é delicioso. Gostava mesmo de vos fazer comparações mas não estou a ver nenhuma que não evidencie o que acontece no livro, e assim já não ficariam surpreendidos com o desenrolar da história.
Bom, mas envolve amizades duradouras, coisas que não acontecem nada por acaso, rituais pagãos e vigários que nos surpreendem, como o tarôt está sempre certo e como a vida e a nossa perspetiva sobre ela pode mudar de um momento para o outro. Isto é como se fôssemos a ver a vida como ela é, mas do lado de fora, em que, quando tudo nos corre mal parece não haver emenda, mas depois fica tudo bem e a vida sorri de todos os lados. E a vida é este ciclo, de coisas boas e de coisas más, e de coisas que nunca acontecem por acaso.
Fala de religiões como o paganismo (bruxaria, religião Wicca) e cristianismo, e "como ao longo dos tempos e através de diferentes culturas, chegaram a Deus, não pode ser uma coisa má, certo?" mostra tanto esta harmonia e da aceitação da cultura do outro e de como ambas se entrelaçam, como se pode ter, simultaneamente, um pentagrama e uma cruz pendurados ao pescoço no mesmo fio, e como se pode, simultaneamente, acreditar em anjos e fazer orações de origem Maia sob caldos de chocolate ao lume.
Acredito que tudo vem num propósito e no tempo certo, este livro veio-me parar às mãos, uma vez mais, num período de debate interior e a transmitir-me mensagens bonitas sobre as quais sempre tive curiosidade. Lembrem-se que, sempre que tiverem um livro na mão, ele está prestes a ensinar-vos o que vocês terão que aprender, no tempo certo.
Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.
Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.
Vai-se vendo crescer a alma de uma criança, o ser mais puro e inocente. Há todo um crescimento gradual, porém também rápido, da mente de uma menina que só querer rir e brincar e aproveitar o ar fresco e a liberdade. Nota-se a menor importância que se dá a uma criança por parte dos adultos, por parte de toda a gente. Por menosprezar o olhar que a criança tem em assuntos de "maior complexo".
Este livro faz com que analisemos todo o nosso ser, toda a nossa atitude e ação, todos os nossos sentimentos perante algo, todos os nossos pensamentos sobre algo. Anne faz uma profunda análise ao ser que foi, que é e que será um dia. No fundo escreve sobre os seus sentimentos, mas de uma maneira tão profunda, transparente, limpa, crua. Vamos mudar muito a forma de ver o mundo. Vamos mudar muito a forma de ver as situações e o modo como reagimos a elas. Caramba, querida Anne, que grande propósito tiveste tu.
- os excertos que guardei para mim -
"Assim podemos encontrar-nos nas quartas e sábados, à tarde e à noite, e no domingo, à tarde, e talvez mais vezes ainda.
- Mas os teus avós não estão de acordo. Não deves fazer isso às escondidas.
- No amor ninguém manda."
"Uma coisa te vou dizer: se quiseres conhecer bem uma pessoa, tens de te zangar uma vez com ela. Só então é que podes julgá-la."
"Nada importa se pudermos salvar alguém, diz o pai, e tem toda a razão."
"Quanto a mim continuarei calada e fria e nunca terei medo da verdade. É sempre melhor não adiar o que se tem a dizer."
"Tiro os cortinados escuros da camuflagem, respiro um pouco de ar fresco pelas fendas até ficar bem acordada. Quando depois tiro as roupas da cama, já não sinto a tentação de deitar-me. Sabes como a mãe chama a isto? ."
"Quando o senhor Koophuis entra, nasce o sol"
"Mas digo-o como se se tratasse de um castelo no ar e não de um tempo que se tornará, algum dia, para mim realidade"
"O homem é grande de espírito mas mesquinho nas ações."
"Enquanto ainda há disto, pensei, um sol tão brilhante, um céu sem nuvens e tão azul, e enquanto me é dado ver e viver tamanha beleza, não devo estar triste."
"Para qualquer pessoa que se sinta só ou infeliz, ou que esteja preocupada, o melhor remédio é sair para o ar livre, ir para qualquer parte, onde possa estar só; só com o céu e com a natureza (...). Então compreende que tudo é como deve ser (...)."
"Foi o que compreendi, de repente, hoje de manhã, quando estava sentada junto da janela (...). Ao olhar lá para fora e ao reconhecer Deus na natureza, senti-me feliz, apenas feliz. Oh, Peter, enquanto esta felicidade está em nós, esta felicidade da natureza, da saúde e de muitas coisas mais, enquanto formos capazes de conservar tudo isto em nós, a felicidade voltará sempre de novo. Fortuna, fama, tudo podes perder, mas a felicidade do coração, ainda que por vezes esteja obscurecida, torna a vir enquanto viveres. Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade. "
"Aquele que é feliz, espalha felicidade."
"O que poderá haver de mais belo no mundo do que olhar a natureza pela janela aberta, do que ouvir cantar os pássaros, sentir o sol no rosto e ter nos braços um rapaz muito querido?"
"O homem nasce com o instinto da destruição, do massacre, da fúria, e enquanto toda a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá sempre guerras."
"Cada vez mais sinto como o meu espírito se desenvolve, sinto a libertação que se está aproximando, sinto como é bela a natureza e como é boa a gente que me rodeia."
"(...) sinto a falta de qualquer coisa de mais autêntico, e eu tenho a certeza de que essa coisa existe."
"Todos vivemos sem saber porquê e para quê, todos procuramos ser felizes, todos vivemos de um modo diferente e no entanto somos todos iguais."
"Como seria bela e boa toda a humanidade se, antes de adormecer à noite, evocasse os acontecimentos do dia que passou, se refletisse no que foi bom e no que foi mau."
"Assim podemos encontrar-nos nas quartas e sábados, à tarde e à noite, e no domingo, à tarde, e talvez mais vezes ainda.
- Mas os teus avós não estão de acordo. Não deves fazer isso às escondidas.
- No amor ninguém manda."
"Uma coisa te vou dizer: se quiseres conhecer bem uma pessoa, tens de te zangar uma vez com ela. Só então é que podes julgá-la."
"Nada importa se pudermos salvar alguém, diz o pai, e tem toda a razão."
"Quanto a mim continuarei calada e fria e nunca terei medo da verdade. É sempre melhor não adiar o que se tem a dizer."
"Tiro os cortinados escuros da camuflagem, respiro um pouco de ar fresco pelas fendas até ficar bem acordada. Quando depois tiro as roupas da cama, já não sinto a tentação de deitar-me. Sabes como a mãe chama a isto? ."
"Quando o senhor Koophuis entra, nasce o sol"
"Mas digo-o como se se tratasse de um castelo no ar e não de um tempo que se tornará, algum dia, para mim realidade"
"O homem é grande de espírito mas mesquinho nas ações."
"Enquanto ainda há disto, pensei, um sol tão brilhante, um céu sem nuvens e tão azul, e enquanto me é dado ver e viver tamanha beleza, não devo estar triste."
"Para qualquer pessoa que se sinta só ou infeliz, ou que esteja preocupada, o melhor remédio é sair para o ar livre, ir para qualquer parte, onde possa estar só; só com o céu e com a natureza (...). Então compreende que tudo é como deve ser (...)."
"Foi o que compreendi, de repente, hoje de manhã, quando estava sentada junto da janela (...). Ao olhar lá para fora e ao reconhecer Deus na natureza, senti-me feliz, apenas feliz. Oh, Peter, enquanto esta felicidade está em nós, esta felicidade da natureza, da saúde e de muitas coisas mais, enquanto formos capazes de conservar tudo isto em nós, a felicidade voltará sempre de novo. Fortuna, fama, tudo podes perder, mas a felicidade do coração, ainda que por vezes esteja obscurecida, torna a vir enquanto viveres. Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade. "
"Aquele que é feliz, espalha felicidade."
"O que poderá haver de mais belo no mundo do que olhar a natureza pela janela aberta, do que ouvir cantar os pássaros, sentir o sol no rosto e ter nos braços um rapaz muito querido?"
"O homem nasce com o instinto da destruição, do massacre, da fúria, e enquanto toda a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá sempre guerras."
"Cada vez mais sinto como o meu espírito se desenvolve, sinto a libertação que se está aproximando, sinto como é bela a natureza e como é boa a gente que me rodeia."
"(...) sinto a falta de qualquer coisa de mais autêntico, e eu tenho a certeza de que essa coisa existe."
"Todos vivemos sem saber porquê e para quê, todos procuramos ser felizes, todos vivemos de um modo diferente e no entanto somos todos iguais."
"Como seria bela e boa toda a humanidade se, antes de adormecer à noite, evocasse os acontecimentos do dia que passou, se refletisse no que foi bom e no que foi mau."

Um conto tão antigo como o tempo...
Bela quer mais da vida do que a pequena aldeia de Villeneuve tem para oferecer. É uma rapariga diferente das outras pessoas, com as suas próprias ideias, muito independente e cheia de força de vontade, além de adorar livros. Anseia por viagens e aventuras, por uma vida tão emocionante como as histórias que lê.
No entanto, quando o seu querido pai é feito prisioneiro por um monstro, num castelo encantado, o caminho de Bela muda para sempre. Pondo em risco a sua liberdade e o seu futuro, toma o lugar do pai no seu sequestro, com a secreta promessa de fugir.
Mas, quanto mais vai sabendo sobre o monstro e o castelo misterioso, mais Bela se apercebe que talvez a história dele — tal como a sua — seja mais importante do que alguma vez poderia ter imaginado.
Quando era pequena, via repetida e entusiasticamente a "Branca de Neve e os Sete Anões", apesar de a parte do bosque enfeitiçado me dar calafrios a todas as vezes em que assistia aquela cassete que já sabia de cor. Fui uma criança feliz, rodeada de histórias de encantar, em forma de livros - que devorava todos os dias - e de cassetes, já tão gastas de vistas tantas vezes.
Às vezes pergunto-me o porquê daquela paixão pela Branca de Neve, todas as histórias de encantar são bonitas, mas não compreendo o que o meu eu criança via de tão mais fantástico naquela do que em todas as histórias.
Hoje, caramba, tenho a certeza, a minha história de encantar preferida é "A Bela e o Monstro". As próprias canções fazem o coração parar e acelerar ao mesmo tempo, faz-nos ficar rodeados de pó de ouro como num feitiço. Toda a história e pormenor, todo o amor que transborda e a mensagem que transmite, o meu coração não aguenta.
Faz-nos crer que toda a gente tem um lado bonito. Sempre acreditei nisso. Que há muito mais além-aparência. Que o amor se sente e não se vê. Que a vida dá voltas bonitas. Que o amor é a coisa mais bonita e mais forte que existe. Parece magia. E é.
Ter esta mensagem bonita num livro é tão bom, quando vem acompanhado de uma história de encantar, um conto tão antigo como o tempo, e de uma nostalgia que nos faz ser criança outra vez, talvez seja a minha história preferida de todo o sempre.
Ter esta mensagem bonita num livro é tão bom, quando vem acompanhado de uma história de encantar, um conto tão antigo como o tempo, e de uma nostalgia que nos faz ser criança outra vez, talvez seja a minha história preferida de todo o sempre.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Na estante: As Flores Perdidas de Alice Hart
Um romance sobre as histórias que deixamos por contar e sobre as que contamos a nós próprios para sobrevivermos.
Alice tem nove anos e vive num local isolado, idílico, entre o mar e os canaviais, onde as flores encantadas da mãe e as suas mensagens secretas a protegem dos monstros que vivem dentro do pai.
Quando uma enorme tragédia muda a sua vida irrevogavelmente, Alice vai viver com a avó numa quinta de cultivo de flores que é também um refúgio para mulheres sozinhas ou destroçadas pela vida. Ali, Alice passa a usar a linguagem das flores para dizer o que é demasiado difícil transmitir por palavras.
À medida que o tempo passa, os terríveis segredos da família, uma traição avassaladora e um homem que afinal não é quem parecia ser, fazem Alice perceber que algumas histórias são demasiado complexas para serem contadas através das flores. E para conquistar a liberdade que tanto deseja, Alice terá de encontrar coragem para ser a verdadeira e única dona da história mais poderosa de todas: a sua.
Não sei se é por ultimamente andar fascinada por flores. Um livro repleto de flores, de ilustrações bonitas e de flores nas palavras, que combinação maravilhosa.
É tão bom começar o livro na pele de uma criança, não me lembro do último livro que li em que isto acontece, mas é das coisas mais bonitas na escrita: a história revela-se de maneira leve, pura, intuitiva, sem más intenções, inocente e cheia de ternura. Desde o início que senti um quentinho no peito com esta história, e verdade seja dita que estava com altas expectativas - e Holly Ringland superou-as.
"Parece um conto de fadas" era o que me passava pela cabeça cada vez que lia. O aroma das flores, o mar, os livros, os desejos de uma criança. Todos os significados tão bem desenhados nesta história bem como todo o equilíbrio entre drama e finais felizes. Entre altos e baixos na medida certa. Todos os sítios para onde Alice foi e para onde me levou com ela. Parece mesmo um conto de fadas, não repleto de bonança, mas de coisas bonitas pelo meio de detalhes que nos deixam os olhos cintilantes como estrelas.
Fiquei com a sensação de que isto é mais do que um livro, mais do que uma história, nunca tinha lido um livro tão bonito, com tanto significado florido. No fim percebe-se o porquê das "flores perdidas" de Alice Hart. Que grande criação, Holly Ringland. Este vai para a minha estante do peito, e vai-me passar pelo colo muitas mais vezes.
Os meus excertos preferidos:
"Pela descrição de Agnes, Alice imaginava que uma biblioteca seria um sereno jardim de livros onde as histórias brotavam como flores."
"(...) descansava no sofá, vendo o sol acabar de pintar as nuvens e passar o seu pincel às estrelas."

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Na estante: O Segredo de Black Hills
Cooper Sullivan passou os verões da sua juventude no rancho dos avós no Dakota do Sul, partilhando jogos inocentes e beijos roubados com a rapariga do rancho vizinho, Lil Chance. Agora, doze anos depois, o destino voltou a juntá-los em Black Hills.Coop deixou a vida frenética como detetive em Nova Iorque para assumir a gestão do rancho dos avós. Lil tornou-se uma mulher bela e respeitada, que não deixou que nada a impedisse de concretizar o sonho de abrir um refúgio para animais selvagens. Mas algo, ou alguém, mantém uma constante vigilância sobre ela. Quando pequenos acidentes se transformam em atos de violência que terminam com a morte do puma de estimação de Lil, as recordações de um homicídio por resolver levam Cooper a assumir a proteção de Lil para a manter a salvo.Lil e Cooper conhecem perfeitamente os perigos que se escondem nas montanhas de Black Hills. Agora têm de trabalhar em conjunto para descobrir um assassino maquiavélico que os marcou como a presa seguinte.
Sabem que opinião eu tenho acerca de livros que toda a gente lê e de autores super famosos que têm montes de bestsellers? Que não vão mexer comigo. Porque nunca fui de seguir modas, muito menos de me encaixar com o que toda a gente gosta. Mesmo que tenha interesse em ler, espero que a ribalta desse livro acalme, e depois, quando já ninguém quer saber, eu leio.
Frases bem construídas, uma boa linguagem e metáforas à mistura. Uma receita perfeita para uma leitura de deleite. Ando a arriscar muito nos romances e queria tentar Nora Roberts, nunca o fiz por ser demasiado conhecida (pelos motivos acima mencionados). Mas às vezes julgo um livro pela capa, e gostei do lado selvagem da coisa. Alberga animais selvagens, florestas, amor de uma vida, mistérios e mortes. A palavra que ecoou na minha mente para ler este livro foi: arrisca.
A história começa com um amor inocente de duas crianças que se tornam melhores amigos, uma menina do campo e um menino da cidade que aprende a gostar do prado e das montanhas. A autora forma as bases para o grande final ao longo da história, em torno de características inocentes, porém interessantes. A história é toda passada num cantinho do mundo dotado de vida natural e selvagem. De sonhos de uma rapariga de criar um refúgio para animais selvagens maltratados e posteriormente num mistério crescente. O considerado destino (não num sentido tão lamechas) está presente em muitas partes da história. Não há coincidências. O medo apodera-se das personagens, o nosso próprio raciocínio é posto à prova juntamente com os delas. E, no fim, a autora dá uma golpada gélida e rápida, demasiado de repente, mas ótimo, porque nos apanha a nós próprios desprevenidos, e faz-nos ficar sem fôlego, toca em aspetos sensíveis demais na construção das últimas cenas que, com todo o nervosismo e adrenalina que sentimos, consegue tocar-nos ao ponto de nos deixar de lágrimas nos olhos.
Acho que nunca estive embrulhada numa história tão rica em natureza e vida selvagem, em medo e adrenalina, ao ponto de me sentir correr pela vida pelo meio da erva alta na escuridão, a temer pela vida. E eu a pensar que não gostava de mistério e policiais.
Tenho um novo livro a adicionar à minha estante do peito. Talvez leia mais de Nora Roberts, mas duvido que os outros sejam melhores que este.

Dois inadaptados. Um amor extraordinário.
Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.
Ahhhhh! É a única coisa que me passa pela cabeça. Só me apetece gritar. Tenho todo o meu corpo a gritar por este livro. Não me lembro de ter lido uma história que me levasse as emoções à flor da pele - a sério literalmente. Caramba.
Já sabemos que o livro é do género young adult, que não é toda uma coisa complexa, com um enredo melodramático, cheio de mistério e romance até fazer doer os olhos - pensando bem, Eleanor & Park até tem tudo isto, sim. Apesar de ser young adult é uma das melhores obras produzidas para este género. Eu irei lê-lo quando já tiver idade para ver as letras pequeninas dos livros através de óculos fundo de garrafa, e só desejava que Eleanor & Park tivesse sido o meu primeiro grande livro.
Já chorei agarrada a um livro, de lágrimas a escorrerem-me pela face sem as conseguir parar, já me deliciei com as páginas de outro a ponto de dar boas gargalhadas sozinha, já me senti nervosa a ler um outro livro pelo mistério que albergava, mas nunca - nunca - senti aquilo que senti ao ler Eleanor & Park. Aquilo. Não sei o que lhe hei-de chamar. Aquelas borboletas na barriga de quem dá a mão pela primeira vez, de quem toca pela primeira vez, de quem beija pela primeira vez. Não tem que ser necessariamente a "primeira vez" primeira vez, basta ser a primeira vez àquele alguém especial. Caraças. Que livro. Caramba.
Ps. As "duas palavrinhas" - as duas últimas palavras do livro - são a minha esperança de que o amor é enorme e move montanhas. Agora, cada um, interpreta o fim da história como entender.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Na estante: Eleanor Oliphant Is Completely Fine
Eleanor é diferente. Aliás, ela pensa de maneira diferente. Pensa em todos os pormenores com os quais ninguém se importa e sonha alto todos os dias com acontecimentos aparentemente impossíveis. Assemelho-me tanto. Eleanor é gramaticalmente correta (com uma personagem assim, quem não ama, não é?) mas com o comportamento invulgar e fora dos eixos (não é o que estão a pensar). Bicho do mato, sabem? Como eu, também. Observa todo o detalhe do próprio pormenor e julga à primeira vista, como toda a gente. Olha-se ao espelho e julga-se um ser humano "aceitável", tirando a enorme cicatriz. Prefere poucas conversas e desenvolve raciocínios rápidos para sair de situações a que a levem a algum tipo de socialização. Sabe que o amor vem quando não o esperamos, mas mesmo assim prefere sonhar demasiado e exagerar - chega a vestir-se bem para que esteja apresentável quando a pizza que encomendou chegar - nunca se sabe quem nos vai bater à porta, não é? Todo o pequeno desvio da rotina é excitante mesmo que seja só ir comprar Tupperwares como qualquer adulto normal. Esquecer-se do próprio dia de anos e planear comprar umas meias novas ou um ramo de flores como presente para si própria já é uma atividade vulgar e anual.
Há um mistério intrigante em redor das páginas, que é saboreado ao longo do livro, descobrindo cada pedacinho da história de Eleanor, chega a ser um bocado assustador - e que história! Vamos sempre pensar que já desvendámos tudo, mas o mistério mantém-se até ao fim, e só no fim, mesmo nas penúltimas páginas, é que descobrimos realmente tudo. É caso para dizer que o que se espera não acontece e vice-versa.
Falando do humor neste livro (parece que este livro tem tudo, não é?) passa pela inocência da consciência de Eleanor, e das comparações que faz das situações do dia a dia, que cada um de nós é bem capaz de o pensar também, sendo muitas delas tão ridiculamente simples que metem piada e chegamos à conclusão de que, este livro, é um "livro aberto" ao que muita gente pensa, diz, faz, acha ou sente retratado na personagem principal.
Acho que há uma Eleanor Oliphant dentro de toda a gente.
Acho que há uma Eleanor Oliphant dentro de toda a gente.
Ao começarmos a ler, vamos ficar do género "mas esta rapariga é louca?!" e não nos vai cativar à primeira - já falei com várias pessoas acerca do livro e disseram que também lhes custou o início da leitura, que não estavam a achar muita piada - mas não desistam, a história promete!
A história é puramente baseada em solidão, amizade e em pequenos atos de bondade. Deixo-vos aqui duas das Q&A (Perguntas e Respostas) feitas à autora Gail Honeyman que se encontram no fim do livro e que achei particularmente interessantes:
Qual foi a inspiração para criar Eleanor Oliphant - tanto a história como a personagem?
A história veio da personagem. Há uns anos atrás, li um artigo de um jornal sobre a solidão. Incluía uma entrevista a uma jovem adulta profissional, que vivia numa grande cidade, onde confessou que, depois de sair do trabalho à sexta-feira à tarde, não falava com ninguém até regressar segunda-feira de manhã. Quando a solidão é discutida nos media, geralmente é abordada sobretudo aos idosos, então este artigo em particular chocou-me de alguma forma. Comecei a pensar sobre o quão difícil poderá ser, em qualquer idade, forjar relações importantes para nós, e imaginar os vários cenários que esta jovem adulta encontrou ao viver desta maneira, nestas circunstâncias. A partir daí, com o tempo, a história e a personagem de Eleanor Oliphant começaram a surgir.
O que espera que os leitores retirem de A Educação de Eleanor?
Ao criar a história de Eleanor, queria focar-me em particular na importância da bondade, em como pequenos gestos podem transformar por completo, com a quantidade certa e no momento certo. Dito isto, cada leitor e cada experiência de leitura é diferente, e fico feliz por deixar ao leitor decidir o que retirar da história - para mim, é um prazer ser sortudo o suficiente por ter alguém que lê o meu trabalho.
A história é puramente baseada em solidão, amizade e em pequenos atos de bondade. Deixo-vos aqui duas das Q&A (Perguntas e Respostas) feitas à autora Gail Honeyman que se encontram no fim do livro e que achei particularmente interessantes:
Qual foi a inspiração para criar Eleanor Oliphant - tanto a história como a personagem?
A história veio da personagem. Há uns anos atrás, li um artigo de um jornal sobre a solidão. Incluía uma entrevista a uma jovem adulta profissional, que vivia numa grande cidade, onde confessou que, depois de sair do trabalho à sexta-feira à tarde, não falava com ninguém até regressar segunda-feira de manhã. Quando a solidão é discutida nos media, geralmente é abordada sobretudo aos idosos, então este artigo em particular chocou-me de alguma forma. Comecei a pensar sobre o quão difícil poderá ser, em qualquer idade, forjar relações importantes para nós, e imaginar os vários cenários que esta jovem adulta encontrou ao viver desta maneira, nestas circunstâncias. A partir daí, com o tempo, a história e a personagem de Eleanor Oliphant começaram a surgir.
O que espera que os leitores retirem de A Educação de Eleanor?
Ao criar a história de Eleanor, queria focar-me em particular na importância da bondade, em como pequenos gestos podem transformar por completo, com a quantidade certa e no momento certo. Dito isto, cada leitor e cada experiência de leitura é diferente, e fico feliz por deixar ao leitor decidir o que retirar da história - para mim, é um prazer ser sortudo o suficiente por ter alguém que lê o meu trabalho.
(traduzido por mim)
Vou, sem dúvida, voltar a ler esta história, sobretudo para me relembrar que há pequenas coisas pelas quais podemos estar gratos e viver com mais atenção aos pormenores, não precisamos de muito, apenas do essencial. Este é um livro que ganhou lugar no meu coração.

Depois da morte de Gerry, seu marido e grande amor, Holly sentia-se completamente perdida, recordava os momentos de pura felicidade que tinham vivido juntos e era invadida por uma tristeza sem fim. Mas ele conhecia-a demasiado bem para a deixar no mundo sozinha e sem rumo. Por isso, imaginou uma forma engenhosa de perpetuar ainda por algum tempo a sua presença junto da mulher que amava, incentivando-a a aprender a viver de novo. P.S. Eu Amo-te é um romance admirável sobre a coragem, a amizade e o amor. Foi publicado pela primeira vez em 2004 e tornou-se um sucesso à escala mundial.
Sabem aqueles livros aos quais se dá uma nova oportunidade? A minha mãe comprou-me este livro em 2013, porque eu andava bastante carente de histórias de amor - como agora, mas parece que na altura não entendi a essência da coisa, e então meti o livro de lado, era demasiado dramático para mim. Sempre achei que há alturas certas para tudo, e os livros não fogem à regra: não é o primeiro livro ao qual dou uma segunda oportunidade. Sinto que só me apetece ler livros que transbordam amor pelas páginas, tanto amor que até enjoa. E lembrei-me do PS. Eu Amo-te guardado dentro de um armário.
Retirem o que estão a pensar, não é nada dramático, nem lamechas, nem enjoa. Eu é que não estava preparada na altura em que o quis. Há uma pitada de drama, mas somente para contrastar com o humor da personagem principal. Escrito na terceira pessoa, o que é ótimo, conseguimos ver pontos de vista de diferentes personagens ou seja, não gira apenas no foco do drama que é perder alguém. É um livro de humor, aprendizagem, lições de vida e sim, romance e, por último, drama. Não, as lições de vida não são apenas para as viúvas, são numerosas as lições presentes neste livro. Desde a amizade, ao amor-próprio e sobretudo à experiência que é viver cada bocadinho da vida.

Dezanove foram as vezes que Colin se apaixonou. Das dezanove vezes a rapariga chamava-se Katherine. Não Katie ou Kat, Kittie ou Cathy, e especialmente não Catherine, mas KATHERINE. E das dezanove vezes, levou com os pés.
Desde que tinha idade suficiente para se sentir atraído por uma rapariga, Colin, ex-menino prodígio, talvez génio matemático, talvez não, doido por anagramas, saiu com dezanove Katherines. E todas o deixaram. Então ele decide inventar um teorema que prevê o resultado de qualquer relacionamento amoroso. E evitar, se possível, ter o coração novamente destroçado. Tudo isso no curso de um verão glorioso passado com o seu amigo Hassan a descobrir novos lugares, pessoas estranhas de todas as idades e raparigas especiais que têm a grande vantagem de não se chamarem Katherine.
Este foi um daqueles livros no qual li o primeiro capítulo com aquele espírito de como quem está diante de uma floresta por descobrir. E os capítulos seguintes foram, cada vez mais, lidos aos empurrões. Um livro que era suposto ter sido devorado em, pelo menos, uma semana, demorei um mês (não parem de ler, as coisas vão aquecer).
É daqueles livros que desnudamos a história toda nas primeiras 10 páginas, perdemos o interesse, e colocamos de lado. Vamos lendo porque sim e não passa disso. Até que parece que se acende uma luzinha perdida pelo meio do enredo monótono, começamos a ir atrás e, finalmente, adoramos e só queremos acabar as outras 200 páginas em menos de 24 horas!
É daqueles livros que desnudamos a história toda nas primeiras 10 páginas, perdemos o interesse, e colocamos de lado. Vamos lendo porque sim e não passa disso. Até que parece que se acende uma luzinha perdida pelo meio do enredo monótono, começamos a ir atrás e, finalmente, adoramos e só queremos acabar as outras 200 páginas em menos de 24 horas!
O enredo é muito previsível e os diálogos não foram o que esperava, dado que já li outros livros do mesmo autor, pareceu um pouco simplista demais, com cenas meio paradas e sem muitas surpresas mas, no final de tudo, tem uma grande moral por detrás disto. Só acho que o público específico para este livro são os adolescentes.
Bem, a personagem principal, para além de viver preso a equações, livros e estudos de línguas por ser um miúdo prodígio, sonha em tornar-se um génio (sim, prodígio e génio são duas coisas distintas, vão aprender muito com este livro, acreditem!) para que toda a gente o recorde e se torne importante, vive colado ao passado por ter sido deixado por todas as namoradas. O coração despedaçado resultou então numa viagem por aí com o melhor amigo. O destino era aleatório, e eis que o local onde chegaram viria a ser o que daria todas as respostas pelas quais procurava - entre outras coisas que não vos vou contar, senão aí é que perde a graça toda. Movido pela ambição de se tornar importante, descobre, na altura exata, que a infinidade do futuro engolir-nos-à a todos, que não há importância que se dê que seja possível arrastá-la para todo o sempre. No entanto, descobriu que existem histórias, e que as histórias mudam tudo, que talvez sejam o único caminho para a importância infinita que perseguia há tanto tempo. E passo a citar: "suponhamos que eu conto uma história, contá-la muda um pouco as outras pessoas, tal como vivê-las me mudou a mim. (...) Eu serei esquecido, mas as histórias permanecerão para sempre no futuro. Eu contribuo para a história infinita. (...) Por isso, todos somos importantes - talvez menos do que mais, mas sempre mais do que nada."
o meu excerto preferido:
Os livros são a melhor coisa de Pessoas Que São Deixadas: interrompemos a leitura e eles ficam para sempre à nossa espera; se lhes damos atenção, retribuem o amor.

«Vais apaixonar-te por mim dentro de um mês». Inês não precisou de tanto tempo para se perder no labirinto sedutor de Afonso e, aquilo que começou por ser um encontro casual no parque, rapidamente se tornou num complexo jogo de sedução e sexo.
Com viagem marcada para o Brasil, Afonso tinha duas missões para cumprir antes da sua partida. A primeira era ensinar aos seus alunos os mandamentos da conquista, para que se tornassem Afonsos (homens desenhados à sua imagem na arte do prazer). A segunda era libertar Inês das amarras de um passado amargurado, abrindo-lhe as portas para um mundo novo, intenso, sem limites, onde o que importa são os desejos mais profundos, as fantasias sexuais silenciadas, e onde o prazer e o erotismo são as palavras-chave. Uma narrativa empolgante recheada de sexo, intriga e mistério que nos mostra que nem tudo o que parece é e que nem sempre dominamos o que somos e sentimos. Afonso esconde um passado sombrio e está marcado a ferro e fogo por uma luta interior entre a luz e a escuridão, da qual só o amor o poderá salvar.»
Um livro diferente de todos os outros. Sim, é erótico e fascinante, desperta muitas emoções e decerto que tem sido esse o maior motivo de vendas. Eu adquiri-o não só por isso, mas sim pela forma de escrever. E ainda bem que este livro tem toda uma história por detrás disto tudo, porque se fosse só foda (desculpem o ser tão direta) eu não iria continuar a ler. Pode fazer com que nos troque os sentidos enquanto o lemos e que, realmente, o mundo erótico tem muitas beneficies a oferecer mas, sobretudo, este livro deixa-nos a pensar. Quem diria que para descodificar a alma que se esconde por trás do monte de palavras e pensamentos eróticos teríamos que ter mentalidade suficiente para tal. Aqui, a personalidade mais forte e vincada pode mudar, não da noite para o dia, claro, mas devagar como o ritmo das ondas do mar. E tudo isto, porque o amor - sim, o amor! - bate à porta de toda a gente, sabem? Mesmo daqueles que têm as portas fechadas à chave. E é por isso, que este livro é muito mais que um livro que alberga um monte de fodas por ler. Quem o agarra e o coloca debaixo do braço para o levar para casa com uma alta expetativa de longas horas de leitura erótica, não se engana, mas é surpreso pela forma simples e persuasiva com que nos envolve o mistério e desenrolar dos acontecimentos. Está tão bem construído que nos faz sentir na pele de uma das personagens principais. E só lendo, irão perceber o que vos quero dizer.
Aviso: quem acaba de o ler, não se dá por satisfeito, cresce-nos no peito uma vontade de descoberta que acaba por não ser saciada. Excedeu as minhas expetativas, com certeza que irão exceder as vossas.

Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta, mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos - esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa."Alaska Young. Lindíssima, esperta, divertida, sensual, transtornada… e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado por ela. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar de modo incondicional.Nunca mais nada será o mesmo.
Este livro é tão real. Dei por mim com eles, à procura de Alaska. Gostei tanto desta história. Não foi apenas uma grande incógnita para Miles, foi também para mim, quando pensava que já sabia o que se iria passar a seguir, a surpresa vinha a cada página seguinte, e na seguinte, e na seguinte, até ao fim. É uma leitura tão boa, que sentimos o entusiasmo de um adolescente no auge da vida, como o vazio do que é perder alguém num segundo. Faz-nos pensar, sabem? Mais uma vez, sobre o que é inevitável na vida. Eu só tenho queda para livros destes. Mas este livro, valeu tanto a pena...
- Deixo-vos com os meus excertos favoritos -
"Mas, por agora, pelo menos conhecia pessoas assim, e elas precisavam de mim, tal como os cometas precisam das caudas."
"Passamos a vida inteira encurralados no labirinto, a pensar em como sairemos dele um dia e em como será espetacular, e a imaginar que o futuro nos mantém a andar, mas nunca de lá saímos. Limitamo-nos a usar o futuro para fugir ao presente."
"Por isso voltei para o meu quarto e deixei-me cair no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria um chuvisco e ela um furacão."
"É um medo como o de alguém que perdeu os óculos e foi ao oculista e aí disseram-lhe que já não havia óculos no mundo e que teria de viver sem eles."
"Que diabo é instantâneo? Nada é instantâneo. O arroz instantâneo demora cinco minutos, o pudim instantâneo uma hora. Duvido que um instante de dor pungente dê uma sensação particularmente instantânea."

You can't stop the future. You can't rewind the past. The only way to learn the secret . . . is to press play. Clay Jensen returns home from school one day to find a mysterious box with his name on it, outside his front door. Inside he discovers a series of cassette tapes recorded by Hannah Baker - his classmate and crush. Only, she committed suicide two weeks earlier. On the first tape, Hannah explains that there are 13 reasons why she did what she did - and Clay is one of them.If he listens, Clay will find out how he made the list - what he hears will change his life forever.
É incrível pensar na efemeridade das coisas. Que tudo o que tem início também tem o fim, sejam os dias, as emoções, as experiências, as pessoas. A vida. Que a morte é inevitável. Que um dia estamos cá, e no outro podemos ter ido embora. É um tema um tanto sombrio e que toda a gente se tenta desviar, mas há certas alturas na vida que é bom relembrarmo-nos disto: que todas as ações que tomamos fazem sempre alguma diferença, boa ou má. As a snowball. Que nunca sabemos o que vai na alma de alguém e de que nunca as devemos julgar. É essa a tomada de consciência que o autor Jay Asher quis transmitir aos leitores e através da tão popular série da Netflix. Um assunto que está entre nós, todos os dias, e que nos passa ao lado. Que esbarramos com ele sem querer e mal ouvimos, "peço desculpa".

Esta é a história assombrosa do tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração - um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis do Holocausto. Em 1942, Lale Sokolov chega a Auschwitz-Birkenau. Ali é incumbido da tarefa de tatuar os prisioneiros marcados para sobreviver - gravando uma sequência de números no braço de outras vítimas como ele - com uma tinta indelével. Era assim o processo de criação daquele que veio a tornar-se um dos símbolos mais poderosos do Holocausto. À espera na fila pela sua vez de ser tatuada, aterrorizada e a tremer, encontra-se Gita. Para Lale, um sedutor, foi amor à primeira vista. Ele está determinado não só a lutar pela sua própria sobrevivência mas também pela desta jovem. Um romance baseado em entrevistas que Heather Morris fez ao longo de diversos anos a Ludwig (Lale) Sokolov, vítima do Holocausto e tatuador em Auschwitz-Birkenau. Uma história de amor e sobrevivência no meio dos horrores de um campo de concentração, que agradará a um vasto universo de leitores, em especial aos que leram "A Lista de Schindler" e "O Rapaz do Pijama às Riscas", e que nos mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.
Ok, esta acabou de se tornar a minha história de amor preferida entre todas as que já li. Já vos disse que sou uma eterna viciada em tudo relacionado com o holocausto e os campos de concentração? Não sou fã de filmes de ação que envolvam guerras e armas e coisas assim, confunde-me e perco o interesse. Contudo, se alguém mo disser que o cenário se passa no tempo da guerra mundial, ou cujo o título o denuncie, então serei a primeira a ficar deleitada e a prestar toda a minha atenção naquele filme.
Confesso, nunca tinha lido um livro acerca deste tema fragilizante. Muito menos teria ideia de que o meu primeiro fosse um testemunho, e se viesse a tornar na minha preferida história de amor, que me tirou horas de sono por 3 noites.
"O tatuador de Auschwitz é a história de duas pessoas normais a viverem tempos anormais, privadas não só da liberdade mas também da dignidade, do nome e da identidade, e é também o relato, pela voz de Lale, do que ambas tiveram de fazer para sobreviver."
Digam-me uma história de amor que a tudo resiste. Agora, digam-me uma história de amor, da mais bela, que nasceu nas sombras dos campos de concentração de Auschwitz, que cresceu no meio de mortes, de miséria, de fome e de medo, que resistiu aos piores horrores da história da humanidade. Alimentavam-se do céu estrelado, de encontros esporádicos aos domingos atrás do edifício administrativo e de centelhas de esperança de um futuro a dois onde iriam fazer amor onde e quando quisessem.
A humildade no ser humano - que conta a sua história para o mundo, mesmo tendo privados os prazeres da vida, nos quais agora lhe tomam lugar a esperança de um futuro com a amada, o céu estrelado sob o descampado onde vivia o terror e uma flor, uma única flor que viu durante anos, de cor vermelho-sangue, que colhe e guarda para dar à namorada - é de louvar aos céus e de ficar com arrepios à flor da pele, de olhos lacrimejantes e de mente aberta perante a verdadeira importância de estarmos apenas vivos. Uma história que se mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela, por vezes, nas mais terríveis circunstâncias.
Se foi dos mais terríveis acontecimentos da história da humanidade, foi. Mas com ele resultaram das mais bonitas histórias de amor, como esta. 32407 34902
"Quem salva uma vida salva o mundo inteiro"
O meu excerto preferido, e espalhado pelo livro, sempre na mente de Lale.

Chamavam-se John e Jenny, eram jovens, apaixonados e estavam a começar a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava-se todo por cima das visitas, roubava roupa interior feminina e abocanhava tudo a que pudesse deitar o dente. De nada lhe valeram os tranquilizantes receitados pelo veterinário, nem, tão pouco, a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. Só que Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Partilhou a alegria da primeira gravidez do casal e o seu desgosto com a morte prematura do feto, esteve sempre presente no nascimento dos bebés ou quando os gritos de uma vítima de esfaqueamento ecoaram pela noite dentro. Conseguiu ainda a "proeza" de encerrar uma praia pública e arranjou um papel numa longa-metragem, através do qual se fartou de "conquistar" corações humanos. A família Grogan aprendeu, na prática, que o amor se manifesta de muitas maneiras... e feitios.
Agora estou numa de reviver - e complementar - histórias que já vivi em filmes para agora folheá-las nas páginas de um livro, onde é tudo muito mais intenso. Toda a gente já sabe a história do pior cão do mundo aos olhos de Jonh Grogan, uma história de amor humano-canino incondicional.
Eu chorei - sim - e ri muito no filme baseado no livro. E bateu uma saudade de o reviver outra vez, desta vez de maneira mais intensa. Eis que este livro foi o único onde soltei gargalhadas sozinha na poltrona do sofá, e onde ao mesmo tempo chorei com o desfecho que já sabia como era.
Mesmo para quem não gosta de cães - ou de animais - vai ficar rendido e com um olhar diferente sobre um mundo que desconhece. Este livro é uma carta em que diz como um animal nos pode tocar a alma e ensinar algumas das lições mais importantes das nossas vidas.
"Marley ensinou-me a viver cada dia como uma exuberância e alegria ilimitadas, a aproveitar o momento e a seguir o coração. Ensinou-me a apreciar as coisas simples - como um passeio na floresta, um nevão fresco, uma sesta numa réstia de luz do sol numa tarde de inverno. (...)"
É verdade que os cães nos mostram a nós, humanos, as coisas que realmente importam na vida e que temos tendência a esquecer do que sempre soubemos. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas não importantes.
"Um cão não tem necessidade nenhuma de carros sofisticados ou de casas sumptuosas ou de roupas da moda. Os símbolos de status não lhe dizem nada. Um pau lambido pelo mar serve perfeitamente. Um cão não julga os outros pela cor da pele, credo religioso ou classe social, mas sim por o que elas têm dentro de si mesmas. (...)"
Dêem-lhe o vosso coração que ele dar-vos-á o seu. Os nossos cães são o que de mais puro existe, e verdadeiros gurus ao nos relembrar que na realidade tudo é bastante simples.
Sem dúvida, um dos livros que não devemos deixar de ler na nossa vida.
"É uma coisa simplesmente fabulosa, adorar um cão, não é? Faz com que as nossas relações com as pessoas pareçam insonsas como papas de aveia."
-O meu excerto preferido.

Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita.
Escrevo assim que acabo de ler, quase com medo de que tudo o que este livro me proporcionou caia em esquecimento, como temia Augustus Waters.
A ironia da vida. O humor (negro) acerca da vida e da morte. A consciência de que embora o mundo não tenha sido feito para os humanos, nós fomos feitos para o mundo.
Uma reflexão do que nos é inevitável: a morte. A morte esfuma a cada página tratando-se apenas de recordar de que devemos viver a nossa melhor vida. Irónico, não acham? De como dois conceitos tão opostos possam andar assim, de mãos dadas. E não me interpretem mal, isto não se trata de uma tragédia tremenda de que quem quer chorar deve ler o livro. Não, não é deprimente, muito pelo contrário, é inspirador e faz-nos refletir na sorte que temos, no quão nos sentimos vivos e no que temos pela frente. E que, desculpem o comentário bastante frontal - apesar da doença das personagens principais, eles não deixam de ser iguais a nós - todos teremos o mesmo fim, a diferença é que dão uma realidade paralela de que, há probabilidades, de já não estarem neste mundo por muito mais tempo, e é isso que os faz ver o mundo de maneira diferente, e que os faz ficar atentos ao universo, já que o universo é um eterno carente de atenção.
A vida faz-se de pequenas coisas, de pequenos gestos, de pequenos momentos, de grandes pessoas. E o facto de querermos morrer apenas e após termos concluído algo heroico, como se costuma dizer, talvez sejamos o mundo de alguém, e o que fazemos por alguém, ficará para sempre recordado.
Uma coisa que nós dá a entender, simples e claramente: algumas infinidades são maiores que outras.
Bom, para dizer a verdade, eu já tinha visto o filme, já o sabia de cor. E nunca foi costume ver o filme e depois ler o livro, achava que me estragava a curiosidade que me faz ficar faminta para ler mais um capítulo. Mas, como a vida já me provou que os filmes, na sua maioria, só nos estragam o mundo imaginário enquanto lemos, eu sabia muito bem que o livro estaria muito mais completo, e que me iria fazer sentir ainda mais. E assim foi. Nos dois últimos dias vivi a magia das páginas de A Culpa é das Estrelas.

Charlie is a freshman. And while he's not the biggest geek in the school, he is by no means popular. Shy, introspective, intelligent beyond his years yet socially awkward, he is a wallflower, caught between trying to live his life and trying to run from it. Charlie is attempting to navigate his way through uncharted territory: the world of first dates and mixed tapes, family dramas and new friends; the world of sex, drugs and The Rocky Horror Picture Show, when all one requires is that perfect song on that perfect drive to feel infinite. But Charlie can't stay on the sideling forever. Standing on the fringes of life offers a unique perspective. But there comes a time to see what it looks like from the dance floor.
O meu primeiro livro em inglês. Um dos meus preferidos - tal como Charlie, uma personagem cujo livro preferido é o que acaba de ler - isto tem tudo a ver comigo.
Acessível, de fácil leitura e simples. O livro divide-se em inúmeras cartas que Charlie escreve ao amigo que não existe. De caráter sensível, com as emoções à flor da pele, estas páginas são todo um mergulho na aventura do que é ser-se adolescente. Das perdas de pessoas queridas ao ganho de outras ainda mais queridas, o livro mostra-nos a importância da essência de cada um e como, no dia a dia, devemos mantê-la.
Podemos esforçar-nos por manter as amizades e as pessoas que mais queremos perto de nós, e sim, devemos fazê-lo. Mas o que retive no final foi uma mensagem mais que bonita e aquela que eu acho que define os meus pensamentos nestes últimos e próximos dias: sermos nós. Nós próprios. Um eu com vontades. Se formos apenas e inteiramente nós, tudo correrá pela melhor forma. E é com esta sensação de essencial amor próprio que acabo de ler o meu primeiro livro em inglês e um dos meus preferidos.

Ada aprendeu com a avó, Teresa, a não ter medo e a não perder a coragem: sempre que algo de belo parece desaparecer, ela deve apurar o ouvido e prestar atenção aos sons. Só assim será possível reconhecer O Som das Coisas Que Começam. Alguns são simples e têm uma magia especial: uma orquestra no momento de afinar os instrumentos, o vento uivante na tempestade, o tilintar de chávenas de café todas as manhãs... Mas na vida nem sempre sabemos reconhecer as coisas belas - quando deixamos de acreditar em nós próprios, ou quando alguém parte. Para Ada, agora que Teresa está gravemente doente, o medo de ficar só é tão forte que a tolhe. Mas ela conhece Giulia, a enfermeira que a encoraja, e Matteo, o homem que a surpreende com o amor incondicional. Giulia e Matteo irão confirmar que o amor significa prestar atenção aos sons que ninguém, exceto cada um de nós, consegue ouvir. E Ada irá aprender que, mesmo quando as coisas estão a terminar, algures no mundo elas estão também a começar.
"É tudo bonito. E tu és bonita como uma manhã de Maio." - este foi o excerto que me ficou no coração depois de ter lido o livro de Evita Greco, com uma linguagem simples e comum, um pouco repetitiva até, mas não deixa de ser uma boa história. Para quem tem um grande vínculo ou recorda os avós com grande carinho, vai ficar com o coração recheado com as boas memórias que este livro suscita. Com uma personagem principal, pura, doce e inocente como uma criança, vamos conseguir espelhar-nos muitas vezes em certas páginas. E sim, tal como o título indica, o som de todas as coisas é a prioridade deste deleite visual e imaginário. Talvez fiquemos mais atentos e escutemos mais o mundo. Todo o pormenor que a autora capta aos olhos de Ada, faz-nos mergulhar num refúgio e, ao mesmo tempo, viajar no tempo. E não, a história não vai acabar como vocês pensam, no fim, apenas no fim, se dá uma reviravolta tal que nos sentimos finalmente saciados ao terminar a leitura.

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