world change

Esta quarta-feira, dia 1 de agosto, o Planeta Terra esgotou oficialmente todos os recursos naturais disponíveis para 2018. Várias fontes afirmam que hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades e sustentar o atual nível estimado de recursos necessários às atividades humanas.
Chegou a data em que terão sido utilizadas todas as árvores, água, solos férteis e peixes que a Terra consegue fornecer em um ano para alimentar e abrigar os seres humanos e terá sido emitido mais carbono do que os oceanos e florestas conseguem absorver.
O total dos recursos renováveis consumidos nunca tinha sido atingido tão cedo desde que a data começou a ser assinalada, nos anos 1970, quando o total só era consumido a 29 de dezembro. No ano passado, a data foi 2 de agosto. A data em que se atingiu este ponto para o planeta terra é um recorde.
A antecipação desta data, deve-se ao excesso de consumo progressivo, visto que um terço dos alimentos produzidos pelo Homem acaba por ser desperdiçado.
A biodiversidade global continua a diminuir de forma acentuada e os impactos das alterações climáticas estão a tornar-se definitivos. O Earth Overshoot Day é um aviso para indivíduos, países e a comunidade global, para repensar as suas ações, de forma urgente, para proteger as florestas, oceanos, vida selvagem e recursos de água doce, ajudando a alcançar o desenvolvimento sustentável.
Ver também: artigo da NatGeo.pt
Porque é que isto nos havia de interessar?
A constante evolução do consumismo levou a que, o lugar que nos foi concedido para viver, esteja em decadência e no seu limite. Tudo isto graças ao ser humano. Tu que estás a ler este artigo, assim como eu que o escrevo, tal como todos aqueles que não dão importância para os temas ambientais, somos culpados pela situação a que nos sujeitámos.É do nosso interesse reverter a situação e ajudar a aliviar o mais que podemos o meio ambiente que, ao fim e ao cabo, não deixa de ser a nossa casa, verdade?
Caso não te esteja a convencer o suficiente, aposto que gostas de praia, ainda para mais com estas alterações climáticas com calor acima da média. Achas que um dia as praias de Portugal não serão afetadas? Com simples atos como colocar toalhitas nas sanitas e outros produtos de higiene, o descuidado nas praias com o lixo, deixando-o no areal indo posteriormente para os oceanos, nomeadamente garrafas de plástico e vidro, embalagens, entre outros. E por aí adiante.
Seguido destes riscos, outros piores poderão ser originados.
Outros problemas poderão afetar-te tais como a escassez do gás natural e do petróleo, a mudança climática - que decerto já deste por ela -, o consumo de recursos naturais pode vir a ser substituído cada vez mais com soluções artificiais, nomeadamente os alimentos que, consequentemente, põem a nossa saúde em risco.
O que podemos fazer para ajudar a desacelerar este ritmo alucinante?
Se refletires na tua rotina diária, decerto que encontrarás situações que podem vir a ser evitadas e que farão toda a diferença para o mundo.~ Quando fores buscar o pão de manhã, leva um saco de pano contigo, é escusado o saco de plástico diário
~ Digo isto também para as frutas e legumes, leva umas sacolas (em rede) de tecido (como estas) que se usam imenso agora, descarta os sacos de plástico que te dão
~ Aposta nas garrafas de vidro e alumínio personalizadas e diferentes ao invés de comprares garrafas de plástico - nos hipermercados já há marcas de garrafas que podes comprar e encher no depósito do estabelecimento de cada vez que fores às compras, é só leva-la contigo, evitando assim, a compra de várias garrafas de plástico. Encontra algumas aqui
~ Quando saíres para ir ao café ou a um bar, pede a tua bebida sem palhinha
~ Em qualquer tipo de papel, por exemplo, papel de escrita, papel de cozinha ou de casa de banho, verifica se o mesmo é reciclado - não vais notar grande diferença na utilização, e estás a fazer o bem!
~ Evita os alimentos embalados em plástico, há cada vez mais fruta embalada, por exemplo, aposta antes nos alimentos em caixas de cartão
~ Não desperdices alimentos. Deixar o prazo dos alimentos passar é um desperdício. Quando sentires que estão a chegar ao fim da validade, aproveita-os e evita comprar uma refeição nova.
Em relação ao que cozinhares, adapta as porções de forma a que não sobre, ou se sobrar, inventa novas receitas com esses alimentos – ou então, comer restos dois dias seguidos nunca fez mal a ninguém.
~ De vez em quando pensa nas tuas escolhas. Atenção, não sou vegetariana, nem pretendo ser, - mas refeições vegetarianas uma ou duas vezes por semana, são saudáveis, para ti e para o planeta. Sabias que muitos dos gases de efeito de estufa são gerados devido à massiva produção de carne?!
~ Os produtos ecológicos e biológicos estão cada vez mais na moda, os alimentos cultivados sem pesticidas são, no geral, não só melhores para ti, como também para o planeta
~ Economiza a energia, a televisão não precisa de estar ligada quando não estás a usar, assim como o pc ou as luzes da casa. Quando possível, utiliza a luz natural do dia
~ Reduz o consumo de água, fecha a torneira enquanto ensaboas as mãos ou enquanto lavas os dentes, e aqueles banhos de banheira cheia podem ser descartados mais vezes, não achas?
~ Na altura de dar presentes, aposta em coisas menos materiais, como bilhetes para um concerto, teatro, festival. Chega de objetos. Dar experiências fica para a vida.
~ Toma atenção ao teu seguimento das tendências da moda. A indústria têxtil é a segunda industria que mais polui. Não compres roupas de que não precises, a aparência não é tudo, certo? Reinventa as tuas roupas. Aposta em marcas ecológicas e sustentáveis, como esta ou esta


Fez no passado dia 24 de Abril 5 anos do colapso de Rana Plaza, em Bangladesh, onde abrigava 5 fábricas têxteis (de grandes marcas) e onde morreram milhares de pessoas.
Com isto, surgiram entidades que pretendem responder a questões nas quais não fazemos ideia acerca do mundo "lá fora", muito além da nossa realidade, ou que, simplesmente ignoramos. A Fashion Revolution Week é uma entidade que pretende trazer uma maior transparência e consciência em relação às marcas que consumimos muitas das vezes (e cada vez mais). Onde são feitas as peças de roupa? Quem as fez? E a condição de trabalho dessas pessoas? Quanto é que ganham?
É importante termos a consciência daquilo que consumimos no dia-a-dia, e como isso é impactante para com o resto do mundo. Já que, hoje em dia já se tornou tendência preocupar-nos com o vegetarianismo e com os produtos de cosmética cruelty free (e ainda bem), já que estamos todos de mão dada prontos a proteger o ambiente: sabiam que a indústria têxtil é das que mais polui o mundo?
Segundo a BBC, o maior dano causado pela indústria da moda é a tendência da "Fast Fashion". Onde de repente uns jeans passam a ser um "must have" para que sejamos aceites na sociedade - caso não queiramos ser olhados de lado - e que daqui a menos de um ano, já não se usa - e onde caímos na controvérsia: caso ainda o usemos, seremos olhados de lado - isto faz algum sentido? Para além do consumo aumentar os problemas ambientais, estão também em jogo vidas humanas com miseras condições de trabalho.
E amigos dos animais: isto também se trata de os proteger - uma vez que, para a confeção de certas peças de roupa é necessária a destruição de vários habitats:
exemplo 1: calças ou malhas de poliéster em que a fibra sintética mais usada na indústria têxtil em todo o mundo requer 70 milhões de barris de petróleo todos os anos e demora mais de 200 anos para se decompor.
exemplo 2: A viscose, outra fibra artificial, mas feita de celulose, exige que sejam derrubadas cerca de 70 milhões de árvores todos os anos.
exemplo 3: uma simples camisa de algodão orgânico necessita de mais de 2.700 litros de água para ser confeccionada.
Ainda acham que temos que fechar os olhos cada vez que entramos num centro comercial e vamos comprar os must have de modo a sermos alguém aos olhos dos outros?

As influências digitais devem ter isto em conta, uma vez que muitas delas são referentes a moda e tendência. Existem outras maneiras de nos fazermos expressar pelo que vestimos, e que fazem muito mais sentido:
Vamos ser menos consumistas? Quantas vezes entraram nas lojas e compraram uma blusa que nem por sombras usariam há uns meses atrás, mas porque agora todos a usam, é necessário ter no guarda-roupa?
Reflitam: Precisamos mesmo de tanta roupa? A roupa define quem somos? Até que ponto vale a pena comprar uma peça para jogá-la fora meses depois?
Já que têm tantas peças no guarda roupa: reinventem. Podem transformar um velho vestido numa saia, umas jeans nuns calções - e isso sim, afirma a vossa identidade através da roupa.
Reciclem: para além do exemplo descrito acima, há sempre a hipótese de comprarem em segunda mão, de trocarem de roupa com as amigas, e assim prolongam a vida dos produtos.
Procurem marcas de sustentabilidade social e ambiental.
Se quiserem fazer parte desta revolução, conheçam a Fashion Revolution Portugal.
Conheçam o programa em Lisboa e no Porto que acontece já este fim de semana!
Usa a hashtag #WhoMadeMyClothes. A semana da revolução da moda — Fashion Revolution Week — quer mostrar que uma etiqueta é muito mais que um preço ou um código de barras. O movimento global, organizado por consumidores de 93 países, desafia marcas nacionais e internacionais a mostrar quem confecciona as suas roupas.
Como? Tira uma fotografia à etiqueta interior de uma peça de roupa, partilha-a no Twitter ou Instagram com a hashtag e aguarda por uma resposta da marca a mostrar quem fez a tua peça. Tudo com o objetivo de sensibilizar criadores, marcas, consumidores e artesãos a contribuir para uma indústria têxtil transparente, que tanto protege economias locais como a dignidade dos seus trabalhadores.

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